Posisionamento político Lígia Faxina aplica pinturas e críticas em souvenirs comercializados pela internet com meta de juntar dinheiro para bancar curso técnico
FOTO: Divulgação

Quando Lígia Faxina, 21 anos, coloca o pincel sobre a tela, um posicionamento político também nasce. Moradora da Vila Nice, em Diadema, a jovem é diagnosticada com autismo (transtorno de neurodesenvolvimento que afeta socialização e emoções), e encontrou na arte-protesto a forma de revelar ao mundo pontos de vista críticos a respeito de fenômenos da atualidade, além de arrecadar recursos para bancar um curso profissionalizante na área.
O projeto começou em 2019, quando na pandemia, Lígia decidiu driblar o isolamento social com um hobbie adotado desde pequena. A mãe, coincidentemente professora de Artes no ensino fundamental, Andreia Faxina, foi uma das principais apoiadoras do uso da expressão para levar à reflexão pública eventos como a Revolução no Irã (que derrubou a monarquia e instituiu uma república islâmica, colocando a religião como fundamento do país em 1979), o abandono do povo indígena Yanomami pelas autoridades políticas brasileiras, assim como o conflito em curso na Faixa de Gaza, entre palestinos e israelenses. “São absurdos que leio nas redes sociais, busco em jornais e ponho na arte sem um horário para começar ou acabar”, enfatiza Lígia.
Caneta, giz de cera, aquarela, tinta acrílica e até mesmo esmaltes de unha ressecados são utilizados na montagem das obras. Cerca de 50 artes-protestos já foram produzidas pela diademense. As projeções que falam ainda de ancestralidade, saúde mental e preservação do meio ambiente estampam agora uma coleção de peças vendidas pelo Instagram @ligia_valkiria_arte_viva, em encomendas no (11) 97309-9993.
Canecas, ecobags e cadernetas com as produções, segundo Lígia, são o passo que a aproxima da aguardada profissionalização na área. A etapa transcende a jornada de adaptação contínua da jovem com autismo no ensino regular. “Consegui completar o EJA (Educação de Jovens e Adultos) em 2023 e mirei a acessibilidade estudando LibrasLíngua Brasileira de Sinais por cerca de seis meses. Hoje também falo inglês. Em 2025, minha meta é um curso técnico”, revela ela, que, com o dinheiro, pretende também custear as aulas de profissionalização artística.
Para a arista, que produz as pinturas, e para quem dissemina a mensagem pelo uso dos artefatos artesanais, a resistência cultural é essencial para que a sociedade evolua. “A arte está enraizada na gente. Por ela, também podemos ver o que as redes sociais ou alguns jornais escondem. Acho que isso extrapola qualquer categorização que possa, por exemplo, me dar sobre ser apenas um hiperfoco (interesse intenso em um tópico, condição comum a pessoas com autismo)”, finaliza.
CONFIRA O VÍDEO: https://www.instagram.com/p/DFI3-H4xGPv/.
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