Perda Desirée Malateaux Netto, 95, agora o único vivo do grupo que lutou pela emancipação de São Caetano, esteve no velório, ontem, na Câmara
FOTO: Denis Maciel/DGABC

Desirée Malateaux Netto, 95 anos, conheceu, em 1945, Mário Porfírio Rodrigues, que morreu no último dia 12, aos 99. Ele é o caçula, e hoje único vivo, do grupo de autonomistas, liderado por Porfírio, que lutou pela emancipação de São Caetano de Santo André. O advogado aposentado se despediu do amigo de longa data nesta segunda-feira (13), em velório realizado na Câmara Municipal de São Caetano. Em seguida, ocorreu o sepultamento, no Cemitério do Morumby, em São Paulo.
O último autonomista relembrou como foi aquele memorável 24 de outubro de 1948, quando a cidade conquistou sua emancipação por meio de um plebiscito. “Eu tinha somente 16 anos e cuidava da parte burocrática, de algumas documentações. Só sobrou eu agora. Lembro até hoje da comemoração após o resultado. As fábricas começaram a apitar, todos comemorando, até a igreja tocando o sino. Foi divertido”, contou Malateaux.
O aposentado é a última memória viva de uma história que o Gama (Grupo dos Amigos do Movimento Autonomista) promete que não deixará ser esquecida. O vice-presidente do grupo, Humberto Domingos Pastore, contou que quando o Gama foi criado, em 2014, os autonomistas, na faixa dos 90 anos, iam às escolas da cidade contar sobre sua luta. “Hoje todos faleceram, somente o Desirée está conosco. É importante manter essa memória porque vão surgindo novas gerações que não conhecem a história”, enfatiza. “Hoje é um dia triste porque nós perdemos Mário Porfírio, meu mestre por 40 anos. Ele me ensinou a amar São Caetano”, disse, emocionado.
O filho de Porfírio, Roberto Mário Rodrigues, compartilhou que mesmo nesse momento difícil gostou de conhecer pessoas que mantêm viva a história de seu pai. “São pessoas que estão cuidando da nossa cidade, trazendo o que de bom houve no passado para ser projetado no futuro”, afirmou.
LEGADO
Fundador do Jornal de São Caetano e autor de obras sobre a luta autonomista, Mário Porfírio Rodrigues dedicou sua vida à cidade, tanto na política quanto na preservação da memória local. O presidente da Câmara de São Caetano, Doutor Seraphim (PL), ressaltou o legado deixado por ele. “É uma perda inestimável de alguém que tem uma importância histórica para nossa cidade, que contribuiu muito para nosso crescimento nas primeiras administrações. O Mário Porfírio foi um dos grandes homens de São Caetano, cuja história temos que preservar”, disse.
Mário Porfírio também integrou a Academia de Letras da Grande São Paulo. A presidente da entidade, Maria Zulema Cebrian, disse que ele sempre foi muito ativo dentro da academia. “Foram muitos anos de relacionamento muito bom. Sentimos falta nesse tempo em que ele não frequentou mais porque estava adoentado, mas nos falávamos ao telefone”, contou.
MORTE
Desde 2020, quando contraiu a Covid-19, Porfírio não se recuperou mais, conforme contou seu enteado Álvaro Toledo. “Ele estava sem andar e dependia 24 horas por dia do oxigênio. É uma grande perda, de uma pessoa estimada por todo mundo, mas foi melhor para ele, que estava muito debilitado”, avaliou.
Toledo revelou que a morte ocorreu por complicações de uma pneumonia, que o levou à internação no dia 27 de dezembro. Ele teve falência de seu único rim, pois o outro havia doado a um filho, hoje já falecido.
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