Editorial O Grande ABC ocupa posição ímpar na Assembleia Legislativa de São Paulo, com dez deputados, representando quase 11% do Parlamento. No entanto, a região, que abriga cerca de três milhões de habitantes, não consegue traduzir essa vantagem numérica em avanços concretos para as sete cidades. Enquanto problemas históricos, como a implantação do Metrô, a proteção da Represa Billings e a crise habitacional permanecem sem solução, a bancada local parece alheia às demandas conjuntas. A falta de unidade entre os parlamentares os distancia do protagonismo necessário para impulsionar projetos estruturantes e coloca o bloco em desvantagem, mesmo com representação significativa.
Essa fragmentação é ainda mais evidente quando se observa que nenhum deputado do Grande ABC conseguiu ocupar o comando da Assembleia Legislativa. Em contrapartida, o atual presidente, André do Prado (PL), representa Guararema, um município com pouco mais de 30 mil moradores. Tal discrepância ilustra como a desarticulação interna da bancada regional enfraquece sua capacidade de reivindicação ao governo do Estado. Cada legislador parece priorizar interesses individuais em detrimento de lutar por pautas coletivas que poderiam transformar a realidade dos sete municípios. Essa postura dispersa cria lacuna que outros grupos geográficos, mais coesos, ocupam com habilidade.
É urgente que o grupo de dez deputados estaduais deixe de lado as diferenças e adotem uma postura mais colaborativa. Ações coordenadas junto ao Consórcio Intermunicipal, que vive um novo tempo com a reintegração de cidades que haviam deixado o colegiado, poderiam potencializar a força da região no Parlamento e, consequentemente, no Estado. Eleger as demandas das sete cidades como prioridade é passo essencial para enfrentar desafios crônicos e atender às expectativas de quem depositou sua confiança nas urnas. Unidos, os representantes podem fazer com que o Grande ABC deixe de ser um coadjuvante e assuma o papel de protagonista no cenário estadual. Chega de desperdiçar essa força!
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