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‘Nossa atividade vive momento de transformação’

Angelo Verotti
13/01/2025 | 08:08
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FOTO: Divulgação
FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 O empresário Marco Aurélio Nazaré está à frente da Abla (Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis) desde 2022, período no qual a receita do setor saltou de R$ 23,5 bilhões, ao fim de 2021, para R$ 44,9 bilhões em 2023 – os dados de 2024 não saíram –, o total de usuários avançou de 50,1 milhões para 75,8 milhões e o número de carros adquiridos pelas locadoras junto às montadoras cresceu de 441,8 mil para 620 mil, segundo estimativa da entidade para o ano passado. O mineiro destaca ao Diário a participação da região no segmento, os desafios, a mudança de comportamento dos brasileiros, além de apontar tendências.

RAIO X

Nome: Marco Aurélio Gonçalves Nazaré
Aniversário: 27 de janeiro
Onde nasceu: Itaúna, Minas Gerais
Onde mora: Itaúna, Minas Gerais
Formação: Engenharia Mecânica, Engenharia Econômica, Engenharia de Segurança e Administração com foco em gestão financeira
Um lugar: Toronto, no Canadá
Time do coração: Cruzeiro-MG
Alguém que admira: Os empreendedores brasileiros
Um livro: O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
 

DGABC

Qual balanço faz do mercado de aluguel de veículos?

O balanço do nosso setor é positivo. A projeção é terminar 2024 com frota superior a 1,65 milhão de automóveis e comerciais leves, alta de 5,1% em relação aos 1,57 milhão de 2023, quando emplacamos 590.870 modelos zero-quilômetro. Deveremos fechar com mais de 620 mil unidades emplacadas. Por outro lado, desde a pandemia, o crédito se tornou mais caro e mais escasso, o que obriga os empresários a estar mais bem-preparados e a ter planejamentos adequados para compras de veículos e necessidades de capital. A gestão do nosso negócio exige capital intensivo. 

O número de locadoras, de clientes e o faturamento do setor aumentaram nos últimos anos. O que esperar de 2024 e o que prevê para 2025?

As projeções para 2024 e 2025 são de manutenção das rotas de crescimento do faturamento, do número de clientes e do total de locadoras no mercado brasileiro. 

O investimento do setor também tem apresentado crescimento. Acredita que isso seja consequência da alta nos preços dos carros? 

A tendência é a de crescimento contínuo do investimento e isso se dá não como consequência da alta de preços dos carros. Em 2024, nossa projeção é que o investimento na compra de ativos chegará a aproximadamente R$ 70 bilhões, ante os R$ 67 bilhões investidos pelas locadoras em 2023. Esses investimentos vão seguir em alta daqui para frente, exatamente porque ainda há ótimas oportunidades de negócios no setor.

As locadoras são responsáveis por média anual de quase 30% dos veículos comercializados pelas montadoras no Brasil. Como foi em 2024 e o que esperar de 2025?

Sim, essa média elevada se manterá em 2024. Conforme nossas projeções, as empresas de aluguel de carros vão terminar 2024 com total de compras próximo a 620 mil automóveis e comerciais leves. Levando em consideração as estatísticas da Anfavea, que projeta vendas de 2,45 milhões de automóveis e comerciais leves novos em 2024, as 620 mil unidades absorvidas pelo setor de locação representarão 25,3% do total vendido pela indústria no ano. Nos últimos três anos, as locadoras já foram responsáveis por absorver mais de 25% das vendas de automóveis e comerciais leves no Brasil e, para 2025, esperamos que essa média seja no mínimo mantida ou até mesmo ampliada.

Quais são os principais desafios para o setor? Econômicos e setoriais?

Ambos. Em termos setoriais, o esforço do segmento e de cada locadora passa pela questão da capacitação, qualificação, por repensar formas de gestão, pela agilidade no atendimento, conveniência e novos diferenciais a serem agregados. Será preciso implementar tecnologias que possam colaborar para a eficácia e a eficiência do aluguel de veículos, o que entendemos que será cada vez mais essencial dentro do nosso setor. Em termos econômicos, a questão da qualidade das vias continua a influenciar diretamente nos custos de manutenção e na segurança da frota. Isso varia de região para região, de locadora para locadora, mas de modo geral é fato que, no Brasil, os veículos ainda são mais sujeitos a roubos, furtos e apropriações indébitas. Especificamente na questão de segurança, é importante dizer que tentativas feitas por estelionatários têm sido cada vez mais frustradas, gerando a eles as consequências legais e penais, em função da tecnologia, controles e treinamentos de pessoal cada vez mais apurados nas locadoras. 

Muito se discute sobre os possíveis impactos da Reforma Tributária nos setores. E no segmento de locação? 

Sob o ponto de vista do setor de aluguel de carros, o processo envolvendo as diversas etapas da Reforma Tributária foi vitorioso. Haverá aumento na carga tributária, mas não em patamares que colocariam em risco a continuidade da atividade de locação, atualmente já regularmente tributada, sem isenção fiscal. As locadoras, assim como demais pessoas jurídicas, táxis, portadores de deficiências e produtores rurais, compram por meio das vendas diretas, nas quais a apuração do ICMS se dá pelo valor do veículo e não pelo preço de tabela. O IPI e o ICMS são recolhidos na compra, assim como o IPVA que, em alguns Estados, têm alíquota reduzida a locadoras. Pagamos todos os impostos federais, incluindo o PIS, Cofins, IR, IR Adicional e CSLL. Porém, na desmobilização dos ativos das locadoras não há tributação de ICMS, conforme determina o Regulamento do próprio ICMS. 

As montadoras criaram serviços próprios de locação na modalidade por assinatura. De alguma forma essa concorrência prejudica o setor?

As locadoras são as especialistas na atividade de locação de veículos, e as montadoras são especialistas na produção. Como o aluguel é um serviço, as montadoras estão aprendendo a trabalhar com essa atividade, que para elas ainda é recente e que exige cuidados com relação à sustentabilidade do negócio no médio e longo prazos, tais como o estabelecimento de tarifas adequadas para os aluguéis. As locadoras já têm a expertise na atividade, além da diversidade de modelos que podem ser alugados, inclusive, a partir de plataformas virtuais e de aplicativos. Hoje há aproximadamente 180 mil automóveis e comerciais leves de locadoras destinados para clientes do carro por assinatura. Ainda não temos projeções para 2025, mas é certo que há mercado para todos, já que existem mais de 60 milhões de pessoas no País que possuem cartão de crédito e todo portador de cartão é também um potencial cliente da locação de veículos. 

Qual modalidade de locação tem se destacado nos últimos anos, inclusive 2024? Qual a expectativa em relação a ela para 2025?

A modalidade de locação que mais cresceu em 2024 foi a do carro por assinatura, com projeção de aumento de 44% no total da frota do setor destinada a esse perfil de clientes. Para 2025, a expectativa é que essa modalidade siga em alta, na medida em que cada vez mais pessoas estão notando as vantagens de pagar somente pelo uso do veículo na comparação aos gastos muito maiores para comprar e manter um ou mais carros próprios.

Alguma outra modalidade deve conquistar espaço nos próximos anos?

Sim. Para a terceirização de frotas, que é a locação de longo prazo para pessoas jurídicas, há projeção de que ainda mais empresas deixem de optar por carros próprios para passar a ter os benefícios da locação. No Brasil, aproximadamente 20% das empresas alugam frotas, enquanto na Europa esse índice já é de quase 70%. Isso mostra o potencial de crescimento que a locação para empresas tem por aqui nos próximos anos. 

A expansão da frota elétrica no setor também se mostra crescente, a exemplo do emplacamento de modelos do segmento no mercado brasileiro. Qual a previsão de crescimento em número de unidades para 2024 e 2025?

Em 2023, havia 8.426 carros eletrificados para aluguel no Brasil, o que representava 0,5% da frota total de veículos do setor. A previsão é de que essa participação no total da frota se mantenha em 2024 e 2025. Nas locadoras, os veículos movidos exclusivamente a bateria são minoria, enquanto os híbridos são maioria. Quanto aos clientes, tanto no Brasil quanto no mundo, a frota elétrica tem funcionado melhor em contratos de locação de longo prazo para pessoas jurídicas. Na locação diária para pessoas físicas, os desafios aumentam, já que a maior parte desses clientes busca os elétricos para experiências curtas, nem sempre compreendendo completamente os métodos ideais de recarga e, ainda, gerando mais sinistros e acarretando custos mais elevados de reparo. Ou seja, a eficácia dos elétricos para as locadoras depende da administração cuidadosa e da tarifação adequada, considerando a compra do carro, a manutenção e os demais custos associados a essa tecnologia inovadora.

Quais as cidades da região com mais negócios no setor?

Todas têm participação, na medida em que se trata de uma região onde há empresas e indústrias que também geram demanda por veículos alugados. Os destaques ficam para Santo André, que é uma das cidades mais desenvolvidas do País; São Bernardo, que é uma geradora de riquezas do Grande ABC; e São Caetano, cujo Índice de Desenvolvimento Humano Municipal segue entre os melhores.

Quais as modalidades de locação que mais se destacam no Grande ABC?

Seguindo a tendência nacional, a terceirização de frotas para empresas e a modalidade do carro por assinatura são as que têm tido mais destaque na região. Diante do poder aquisitivo local, o aluguel diário para pessoas físicas também movimenta o setor, a partir, por exemplo, de executivos em viagens de negócios e até de clientes que, antes de adquirir um novo carro, o alugam por alguns dias, como uma boa opção para conhecer o modelo desejado e assim observar melhor o seu desempenho. 

Quais as tendências para o setor?

Nossa atividade está vivendo um momento de transformações. Quem insistir em pensar, em agir e em alugar veículos sempre da mesma forma com que alugávamos tende a ter dificuldades para permanecer no mercado. Estão acontecendo mudanças e avanços. Por exemplo, a tendência de cada vez mais conectividade embutida nos carros está em expansão. O crescimento dos veículos híbridos e elétricos está acontecendo. Há novas formas de compartilhamento sendo postas em prática e existe uma diversidade de aplicativos relacionados ao transporte de pessoas. Enfim, são tendências que deixam claro que novos desafios continuarão a surgir e certamente exigirão respostas rápidas, eficazes e eficientes na nossa maneira de trabalhar com locação de veículos




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