Mudanças Especialista avalia que ‘dança das cadeiras’ não prejudica a democracia, mas defende que siglas sejam fortalecidas
FOTO: Renata Ferrera/CMSA

Votar nominalmente em um candidato nem sempre garante que, se eleito, o político permanecerá no cargo. Alguns detentores de mandato, por vezes, deixam suas cadeiras nos Legislativos para alçar outros voos, como assumir postos no primeiro escalão das prefeituras. No Grande ABC, por exemplo, dez parlamentares deixaram os cargos para os quais foram eleitos e passaram a integrar os secretariados dos prefeitos.
Esse movimento não é ilegal e ocorre com frequência ao longo do mandato de quatro anos. No entanto, do ponto de vista eleitoral, cria uma ‘distorção’, já que uma nova composição, diferente da escolhida nas urnas, é formada nas Casas de Leis.
Segundo Ivan Filipe Fernandes, professor de Políticas Públicas da UFABC (Universidade Federal do ABC), a ‘dança das cadeiras’ não é um “problema do ponto de vista democrático”, mas sugere outro caminho a ser seguido.
O especialista lembra que as trocas de cargos eletivos para comissionados não ocorrem exclusivamente nos Legislativos municipais, mas também nas Assembleias estaduais e na Câmara dos Deputados. Por isso, é preciso pensar em como fortalecer a “representação por meio de partidos” ante a “representação por meio de indivíduos”, comentou.
Nessa linha, o professor afirma que, com o número elevado de agremiações políticas (são 29 cadastradas no Tribunal Superior Eleitoral), fica difícil identificar a linha ideológica de cada uma. “Uma das dificuldades que a gente tem para o fortalecimento do regime democrático brasileiro é que boa parte dos partidos não traz mensagens muito claras sobre o que defendem. Acaba sendo mais uma junção de indivíduos do que efetivamente um grupo político coeso. Tornam-se uma junção de indivíduos para disputar a eleição, não um grupo político coeso com projeto definido com começo, meio e fim”, avaliou.
MUDANÇAS
No Grande ABC, quatro das sete cidades ‘promoveram’ vereadores ao primeiro escalão. Santo André e São Bernardo lideram o ranking com quatro movimentações cada. Os prefeitos de Mauá, Marcelo Oliveira (PT), e de Diadema, Taka Yamauchi (MDB), ‘subiram’ um vereador cada.
Em Santo André passaram a integrar a equipe do prefeito Gilvan Junior (PSDB) os vereadores Pedrinho Botaro (PSDB), na Educação; Almir Cicote (Avante), na Pasta de Mobilidade Urbana; Jobert Minhoca (Podemos), na Secretaria de Esporte e Prática Esportiva; e Diego Cabral (MDB), em Inovação e Tecnologia. Assumiram seus mandatos os suplentes Célio Lopes (PSDB), Renatinho (Avante), Daniel Buissa (Podemos) e Marcos Pinchiari (MDB).
Na gestão de Marcelo Lima (Podemos) ganharam cargos no primeiro escalão os vereadores Ivan Silva (PRTB), na Secretaria de Governo; Fran Silva (Avante), na Pasta de Esporte e Lazer; Henrique Kabeça (PMB), em Assistência Social; e Toninho Tavares (Agir), na Secretaria de Parcerias e Concessões. Assumiram Palhinha (Avante), Ary de Oliveira (PRTB), Reginaldo Burguês (Agir) e Renan Queiroz (PMB).
Em Diadema, Eduardo Minas (Progressistas) assumiu a Secretaria de Assistência Social e Cidadania e foi substituído na Câmara por Sérgio Ramos da Silva, o Companheiro Sérgio (Progressistas).
Por fim, em Mauá, Chiquinho do Zaíra (MDB) foi alçado ao cargo de Secretário de Planejamento Urbano e o suplente Luizinho Simão (MDB) assumiu a cadeira no Legislativo.

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