Política Titulo Recursos

Desde 2020, Grande ABC recebeu R$ 78,3 milhões em ‘emendas Pix’

Desse total, R$ 45,6 milhões estão parados em contas bancárias, o que sinaliza ineficiência na gestão pública dos recursos, segundo o TCE-SP

Anderson Amaral
05/01/2025 | 21:23
Compartilhar notícia
FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Levantamento realizado pelo TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) com dados compilados pelo Diário revela que, de janeiro de 2020 a agosto do ano passado, as sete cidades do Grande ABC receberam R$ 78,3 milhões por meio de transferências especiais, também chamadas de ‘emendas Pix’, usadas para liberação de recursos orçamentários diretamente aos Executivos locais. 

Deste montante, cerca de R$ 65,7 milhões (equivalentes a 83,8% do total) são compostos por recursos federais, enquanto R$ 12,6 milhões (16,2%) têm origem em repasses estaduais.

DGABC

Adotadas pelo Congresso em 2020, as emendas Pix ganharam esse apelido porque não exigem celebração de convênios ou contratos, nem prestação de contas. No destino, o dinheiro pode ser livremente usado pelo governador ou prefeito, sem vinculação com programas federais, o que prejudica a fiscalização e compromete o planejamento. Além disso, carecem de meios de transparência e fiscalização. Parlamentares, no entanto, defendem o mecanismo por aumentar a eficiência da aplicação dos recursos, produzindo mais rapidamente benefícios à sociedade.

Na região, segundo o TCE-SP, Santo André é a cidade que mais recebeu emendas Pix desde a criação da modalidade, com R$ 23,6 milhões, seguida por Mauá (R$ 18,2 milhões), Diadema (R$ 18,1 milhões) e Ribeirão Pires (R$ 9,2 mïlhões). 

Ainda de acordo com o tribunal, dos R$ 78,3 milhões transferidos às sete Prefeituras, R$ 45,6 milhões estão parados em contas bancárias. “Esses recursos, parados nos bancos, representam uma oportunidade desperdiçada de investimento em serviços e infraestrutura que poderiam melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e atender demandas urgentes em áreas como Saúde, Educação e Segurança”, diz o TCE-SP.

PLATAFORMA

Os dados constam do painel Transferências Especiais, lançado em dezembro do ano passado pelo tribunal e que traz informações detalhadas sobre as emendas Pix transferidas por deputados e senadores a 644 municípios fiscalizados pelo TCE-SP – todos, exceto a Capital. Para realizar o levantamento, a Corte de contas enviou questionários a todas as Prefeituras paulistas, que forneceram os dados sobre repasses. 

Ocupam o Top 5 de municípios mais favorecidos com transferências especiais as Prefeituras de Carapicuíba, Cotia, Suzano, Campinas e Hortolândia, pela ordem. Apenas 24 dos 644 municípios, cerca de 3,7% do total, nunca receberam emendas Pix.

O painel também destaca que há falhas na transparência da execução dos recursos, uma vez que 44% dos municípios não dispõem de link no Portal da Transparência que detalha todas as emendas recebidas. Desse total, 35% afirmaram que não há link e 7,9% disseram que possuem link somente para emendas federais.


STF

As emendas estão na mira da PF (Polícia Federal) e do STF (Supremo Tribunal Federal). O ministro Flávio Dino, do STF, é relator de ações que questionam a falta de transparência do mecanismo na suprema corte. Em agosto do ano passado, Dino bloqueou os repasses. Após negociação com o Congresso e com o governo, liberou o pagamento, mas impôs restrições. O ministro decidiu que as emendas podem ser pagas, desde que seja apresentado um plano de trabalho prévio a partir deste ano. 

Com o objetivo de evitar que o maior grau de liberdade na aplicação das emendas Pix prejudique seu uso, o TCU (Tribunal de Contas da União) definiu que é de competência do sistema de controle local – ou seja, do respectivo Tribunal de Contas – a fiscalização do recebimento e da utilização desses recursos.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;