No Centro Histórico e Literário Ricardo Nardelli Antônia Maria de Souza frequenta espaço público uma hora por dia
FOTO: Divulgação/PMETRP

“Trabalhei grande parte da minha vida na roça e não conseguir ler. Hoje, aos 82 anos, quero fazer da leitura um hábito e é por isso que estou vindo ao CHL (Centro Histórico e Literário) Ricardo Nardelli quase todos os dias”, destaca a aposentada Antônia Maria de Souza, enquanto vira mais uma página do livro O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.
Nem tempo ruim ou qualquer outra adversidade a impede de caminhar até o prédio para manter o ritmo de leitura. Sozinha na mesa, Antônia parece mergulhar na história contada no livro, como se fizesse parte dos moradores que vivem em Taperoá, cidade em que se passa o conto do escritor e dramaturgo.
“Eu sempre gostei de ler e até queria ser professora quando era criança, mas meu pai me colocou para trabalhar muito cedo. Tive que desistir de pegar no giz para cortar lenha e aprender a ser uma carvoeira”, conta Antônia. “Minha vida também daria um bom livro, um romance”, brinca ela.
A vontade de ler, mesmo depois da aposentadoria, surgiu quando Antônia participava das atividades do CRI (Centro de Referência ao Idoso) de Ribeirão Pires. Em contato com outros frequentadores, a aposentada participou de cursos de ginástica, de dança, de costura e até mesmo de aulas de como mexer em smartphones.
“Estou sempre buscando alguma coisa para fazer e participo das atividades do CRI desde o início. Foi lá que comecei a pensar em ler mais, buscar mais alguma coisa para ocupar a mente. É sempre bom”, explica Antônia.
A ideia da octogenária é ficar pelo menos uma hora por dia no CHL, para que possa desfrutar das leituras que o espaço possui. Influenciada pela Flirp (Feira Literária de Ribeirão Pires) do ano passado, que homenageou o escritor paraibano, Antônia se prepara para começar a ler A Pedra e o Reino, mas somente depois que terminar O Auto da Compadecida.
“Esse contato com a leitura é como se fosse um retorno, uma busca ao passado. Estudei até a terceira série (atual terceiro ano do ensino fundamental) e tive de trabalhar. Não quero dizer que estou correndo atrás de um tempo perdido, mas sim buscando uma vontade que ficou para trás”, relata ela.
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