Em seis meses de adaptação, Victor Soares da Silva conquistou vaga na competição nacional e ficou entre os melhores do País
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O Centro Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, foi palco de emocionante conquista no início do mês. O atleta Victor Soares da Silva, 23 anos, do Sesi Santo André, ficou com a medalha de prata no salto em altura no Brasileiro de Atletismo Paralímpico. O andreense, até então, era um desconhecido em meio aos veteranos da categoria, já que a competição simbolizou sua estreia em grandes torneios paralímpicos após um grave acidente.
Filho de professores de educação física, o jovem cresceu em meio ao esporte. Sua trajetória no atletismo começou no salto com vara, modalidade que lhe rendeu títulos estaduais e nacionais. No entanto, em junho de 2023, um acidente de moto colocou em xeque sua carreira e sua vida.
Ele passou um mês na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e enfrentou longa recuperação. As lesões resultaram na perda total dos movimentos do braço direito. “Quando acordei no hospital e percebi a gravidade, senti que todo o esforço que eu tinha colocado no esporte havia sido em vão. Sentia que havia falhado comigo, com a minha família, treinadores. Não sabia se ainda tinha lugar para mim no esporte.” afirma o atleta.
De acordo com Victor, o que o fez retornar para os treinamentos, em junho deste ano, foi sua família, além da própria equipe, com ajuda de psicólogos e fisioterapeutas. Sem poder utilizar o braço direito, o atleta voltou às pistas no salto em altura e, em apenas seis meses, conseguiu índice para participar do Brasileiro, realizado nos últimos dias 5 e 6.
Em sua estreia em competições deste porte no esporte paralímpico, o atleta melhorou sua própria marca em duas oportunidades e finalizou o torneio entre os três melhores do Brasil no salto em altura. “Quando vi que tinha conquistado a medalha, olhei para a arquibancada e senti que tinha conseguido retribuir todo o apoio que recebi durante a recuperação e adaptação à nova modalidade”, conta o saltador.
Para o treinador Daniel Biscola, que acompanha Victor na adaptação, a trajetória do atleta é um exemplo a se seguir. “No esporte paralímpico falamos que cada atleta passa por um renascimento. O Victor mostrou um potencial enorme, e mesmo com tão pouco tempo na modalidade, já está entre os três melhores do Brasil, e acredito que tem muito espaço para crescer nos próximos anos”, avalia.
Apesar dos bons resultados já em suas primeiras competições, Victor e o treinador Biscola ainda avaliam novas possibilidades, e o salto em altura pode não ser a modalidade em que seguirá competindo.
Mesmo assim, o competidor já sonha com uma participação nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles (Estados Unidos), em 2028, em qualquer modalidade. “Nada muda, passamos para o esporte paralímpico, mas sigo mirando alto. Quero dar o máximo para estar entre os melhores do mundo”, completa o jovem atleta.
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