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Aos 82 anos, aposentada quer exercitar hábito de leitura no CHL de R.Pires

27/12/2024 | 15:51
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Antônia Maria de Souza, 82 anos, frequenta o CHL (Centro Histórico e Literário) Ricardo Nardelli, em Ribeirão Pires, com o objetivo de aprimorar o hábito da leitura.

“Trabalhei grande parte da minha vida na roça e não consegui ler. Hoje, quero fazer da leitura um hábito, e é por isso que venho ao CHL quase todos os dias”, afirmou a aposentada enquanto virava mais uma página do livro O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.

Nem mesmo a leve garoa que caía na manhã desta quinta-feira (26) a impediu de caminhar até o prédio para manter o ritmo de leitura. Sentada sozinha à mesa, Antônia parecia mergulhar na história do livro, como se fizesse parte dos moradores de Taperoá, a cidade onde se passa a narrativa de Suassuna.

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“Sempre gostei de ler e até queria ser professora quando era criança, mas meu pai me colocou para trabalhar muito cedo. Tive que desistir de pegar no giz para cortar lenha e aprender a ser carvoeira”, contou Antônia. “Minha vida também daria um bom livro, um romance”, brincou.

O interesse pela leitura, mesmo após a aposentadoria, surgiu durante a participação em atividades do CRI (Centro de Referência ao Idoso) de Ribeirão Pires. Foi lá que Antônia teve contato com outros frequentadores e participou de cursos de ginástica, dança, costura e até mesmo de aulas para aprender a usar smartphones.

“Estou sempre buscando algo para fazer e participo das atividades do CRI desde o início. Foi lá que comecei a pensar em ler mais, buscar algo para ocupar a mente. É sempre bom”, explicou.

A ideia da octogenária é dedicar pelo menos uma hora por dia ao CHL, aproveitando o acervo literário disponível. Influenciada pela Flirp (Feira Literária de Ribeirão Pires) deste ano, que homenageou o escritor Ariano Suassuna, Antônia já se prepara para iniciar a leitura de A Pedra do Reino, mas só depois de terminar O Auto da Compadecida.

“Esse contato com a leitura é como se fosse um retorno, uma busca ao passado. Estudei até a terceira série (atual terceiro ano do ensino fundamental) e tive que começar a trabalhar. Não quero dizer que estou correndo atrás do tempo perdido, mas sim buscando realizar um desejo que ficou para trás”, refletiu Antônia.

 




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