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Santo André tem 44% de diagnóstico tardio de Aids

Dos 286 novos contaminados até novembro de 2024, 127 já tinham desenvolvido a doença

09/12/2024 | 08:33
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FOTO: Pedro Roque/PMD
FOTO: Pedro Roque/PMD Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Em 2024, em quase metade dos novos casos, as pessoas contaminadas com o vírus HIV em Santo André já haviam desenvolvido Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, na sigla em inglês) quando realizaram a testagem. Atualmente, 2.910 pessoas vivem com HIV no município, de acordo com dados divulgados pela Prefeitura ao Diário – o jornal solicitou informações às sete cidades, mas apenas uma respondeu.

Somente neste ano, de janeiro a novembro, foram registrados 286 novos contaminados em Santo André – e 127 deles, ou seja, 44%, já tinham desenvolvido a Aids. No mesmo período do ano passado, eram 343 novos contaminados, e 127 haviam manifestado a doença (37%). Como comparação, dados de 2022 mostram que o diagnóstico tardio em todo o Estado de São Paulo é menor, na casa de 25%.

A Aids é uma doença causada pelo vírus HIV. Ter o vírus do HIV no corpo não significa que a pessoa está com a enfermidade. É possível viver durante anos sem apresentar sintomas. Não existe cura, mas a evolução do vírus para a doença pode ser evitada com tratamento que é, inclusive, fornecido gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) nas sete cidades do Grande ABC – tanto para consultas como medicação. O tema ganha relevância no Dezembro Vermelho, mês de conscientização do HIV/Aids. 

DGABC

Os dados de Santo André também mostram que há uma maior prevalência da contaminação pelo HIV em adultos de 20 a 29 anos (32,13%), na faixa etária de 30 a 39 (25,39%) e de 40 a 49 (19,1%). As populações preta e parda somam cerca de 45% do total dos casos diagnosticados, enquanto em brancos a taxa de contaminação é a maior, de 51%. Indivíduos de cor amarela representam apenas 0,9%. 

Quanto à escolaridade, o maior percentual está em formados no ensino médio completo (33,93%), seguido de pessoas com educação superior completa (19,1%). Esses percentuais englobam números de 2023 e 2024. 

De acordo com dados computados até o ano de 2022 pelo DVIAHV (Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis), do Ministério da Saúde, o Grande ABC tem percentuais acima da média do Estado para diagnóstico tardio e doença avançada no decorrer dos anos. 

Segundo este levantamento, as maiores taxas no ano de 2022 para diagnósticos feitos já com a doença em manifestação na região foram observadas em Santo André (41%), Mauá (38%), Rio Grande da Serra (33,5%) e São Bernardo (29,5%), acima da média do Estado de São Paulo, que ficou em 25%. São Caetano, Diadema e Ribeirão Pires obtiveram, no mesmo período, 22,5%, 22% e 16,5%, respectivamente. 

PREVENÇÃO

A médica infectologista Elaine Matsuda, professora na FMABC (Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC), com mestrado e doutorado em infectologia e em saúde pública pela CCD (Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo), explica que um indivíduo contaminado pelo HIV pode passar anos sem saber que tem o vírus. 

“Por ser assintomática, a pessoa não busca o atendimento médico e vai passar esses anos todos disseminando a doença. Por isso a testagem é uma ferramenta importante de prevenção de novos casos”, alerta a especialista. 

Ela diz que, após ter desenvolvido o quadro de Aids, se não for iniciado tratamento, o indivíduo pode morrer no decorrer de, em média, de um a três anos. “Existe um estigma muito grande em relação ao HIV e, devido a esse preconceito, muitos médicos não solicitam o exame nas consultas de rotina, somente hemograma, colesterol e diabetes, e os pacientes também têm medo de pedir”, afirma Elaine. 

A dica é fazer sempre a testagem do HIV em exames de rotina, anualmente, por meio das unidades de saúde da região. Se o profissional não incluir HIV, o indicado é pedir, aconselha a infectologista. Caso seja positivado, será feito encaminhamento para tratamento. 

ABANDONO 

Além das barreiras para os pacientes chegarem ao diagnóstico e tratamento, muitos ainda o abandonam. Ribeirão Pires, por exemplo, de acordo com dados da Prefeitura da cidade, por meio da Secretaria de Saúde, informou que 397 pessoas estão em tratamento do HIV no município. Neste ano de 2024, de janeiro a outubro, 14 pessoas abandonaram o acompanhamento. Em 2023, no mesmo período, foram 19 casos. E, em 2022, 25 pessoas deixaram de dar sequência às consultas e medicações que estabilizam o quadro. 

Para Elaine Matsuda, o abandono do tratamento se deve pela dificuldade da população de baixa renda de buscar medicação no período de trabalho. 

“A solução seria ampliar o número de postos de retirada dos remédios, assim como horário de atendimento. Também pelo preconceito com a doença, muitos nem contam para amigos e familiares que fazem esse tratamento, não tendo a quem pedir auxílio para a retirada da medicação”, justifica Elaine.




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