Reconhecimento da Assembleia deve ajudar na preservação da reserva ambiental
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O Parque Ecológico da Gruta Santa Luzia, em Mauá, tornou-se, no último mês, patrimônio histórico e cultural de São Paulo. Projeto de lei aprovado na Assembleia Legislativa vai ajudar na preservação da reserva ecológica onde nasce o principal rio do Grande ABC, o Tamanduateí, um dos afluentes do Tietê.
“É o primeiro passo para assegurar a preservação deste espaço ecológico que faz parte da história do Grande ABC”, disse o deputado estadual Rômulo Fernandes (PT), que tem domicílio eleitoral em Mauá. O projeto de lei tramitava na Assembleia desde o ano passado.
A aprovação do texto obriga o Estado a preservar e a conservar o chamado Parque da Gruta, que tem 450,9 mil metros quadrados e está localizado entre os Jardins Itapeva e Adelina. O local abriga vegetação remanescente da Mata Atlântica e é moradia para pequenos mamíferos, como esquilos e saguis, aves e répteis, como lagartos, tartarugas e cobras.
O parque também possui valor histórico e cultural. Antiga fazenda pertencente à ordem dos monges beneditinos, entre os séculos XVI e XVIII, em seu interior se encontra a caverna na qual está entronizada uma imagem de Santa Luzia, que na tradição católica é a protetora dos olhos.
A santa teria sido colocada ali por causa da fama de que as águas do Tamanduateí curavam os mineradores que machucavam as vistas nas atividades de extração do granito que abundava nas imediações. A crença permanece até os dias de hoje.
Formadas originalmente, em sua maioria, por imigrantes italianos que fugiam das Grandes Guerras que castigaram a Europa no século XX (1914-1918 e 1939-1945), levas de trabalhadores atuavam na extração do chamado granito cinza Mauá, tipo de rocha ornamental utilizada na construção de alguns cartões-postais da Capital Paulista, como a Catedral da Sé, o Monumento dos Imigrantes e o Obelisco do Ibirapuera.
A gruta de Santa Luzia é um dos principais pontos turísticos do Grande ABC, embora a falta de conservação de suas estruturas e a ausência de segurança tenham afastado visitantes do local nos últimos tempos. Rômulo Fernandes acredita que, com a transformação do espaço em patrimônio do povo paulista, haverá mais condições financeiras de proteger o parque.
O Parque da Gruta já é protegido pela legislação de Mauá, que reconheceu o local como zona de interesse ambiental em 2014. Três anos depois, decreto municipal definiu o endereço como patrimônio cultural. “Agora estamos avançando, de modo a incluir o Estado como protetor deste santuário”, declarou o deputado estadual.
Mauá já possui em seu território outros dois locais históricos considerados patrimônios culturais do Estado de São Paulo. Um deles é o Museu Barão de Mauá, imóvel onde viveu Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá. O outro é a Escola Estadual Emiko Fujimoto, cujo prédio principal foi projetado por João Batista Vilanova Artigas, um dos principais nomes da arquitetura mundial.
O Parque Ecológico do Guapituba, um remanescente de Mata Atlântica localizado próximo à estação Guapituba da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), recebeu melhorias da Prefeitura de Mauá. Novos playground e academia ao ar livre foram entregues à população, após receberem melhorias. O Jardim das Abelhas, inaugurado em setembro de 2023, também passou por intervenção. Para dar mais segurança aos visitantes, galhos e árvores com sinais de comprometimento foram extraídos. O parque recebe em média 5.000 visitantes por mês.
“Mauá é privilegiada por ter esses três espaços tão maravilhosos, o Parque da Gruta, o Parque da Juventude e o Parque do Guapituba. Estamos fazendo de tudo para cuidar e que as pessoas possam visitar, se divertir, ter um momento de lazer e contato com a natureza”, diz o prefeito Marcelo Oliveira (PT).
Desde janeiro de 2021, a Prefeitura realizou outras melhorias, como a reforma do deque e a implantação do jardim medicinal. Com uma área de cerca de 575 mil metros quadrados, o parque é um espaço ideal para caminhadas ao ar livre, prática de exercícios físicos, apreciação da natureza e observação de aves, respeitando os elementos contidos na área e mantendo a interferência mínima para não impactar as espécies residentes.
O espaço, na Avenida Capitão João, 3.220, pode ser visitado de domingo a domingo, das 7h às 17h. O estacionamento funciona até as 16h45.
Entre as principais atrações, está o Jardim das Abelhas, que abriga cinco caixas de colmeias com abelhas nativas sem ferrão das espécies Jataí, Mandaçaia, Lambe-olhos e Bugia. As flores plantadas no local (azaleias, sampatiens, bromélias, margaridas, vedélias e begônias) foram escolhidas também fornecer alimento e matéria-prima para as abelhas. Além disso, a Prefeitura instalou bancos para que os visitantes possam relaxar e registrar fotos do cenário.
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