Setores automotivo, de tecnologia e indústria de máquinas têm chance de ampliar o volume de exportações
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O acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia poderá ser benéfico para a indústria do Grande ABC. Entretanto, vai demandar investimento em modernização de equipamentos para enfrentar a concorrência. A opinião é do presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Santo André, Norberto Perrella.
Os chefes de Estado do Mercosul e a representante da UE (União Europeia), Ursula von der Leyen, anunciaram ontem que foi firmado o acordo de livre comércio para redução das tarifas de exportação entre os países que compõe esses mercados. As negociações se arrastavam há 25 anos.
“O acordo abrirá um mercado de 780 milhões de consumidores, o que representa um salto significativo nas exportações de produtos brasileiros, principalmente na área de agronegócio e commodities. No entanto, o desafio maior está nas implicações para a indústria de transformação, um pilar da economia do Grande ABC, que enfrenta um ambiente de alta competitividade e pressão por inovação”, afirmou Perrella.
O dirigente destaca que os setores automotivo, eletroeletrônico e a indústria de máquinas e equipamentos podem se beneficiar, mas faz ressalvas. “Para que o acordo seja favorável à indústria do Grande ABC, é necessário um movimento de adaptação e inovação. As empresas precisarão melhorar sua competitividade por meio da modernização tecnológica, da digitalização e da busca por novos modelos de negócios. O setor industrial local também deve buscar nichos de mercado, onde a diferenciação pela qualidade, inovação e sustentabilidade seja mais valorizada do que o preço”, completa.
O presidente do Ciesp de São Bernardo, Mauro Miaguti, também vê o acordo como positivo à região, uma vez que o Grande ABC representa um setor industrial (automotivo) forte. Ele espera ainda que o acordo venha a beneficiar todos os setores da indústria brasileira. “É extremamente positivo essa queda das barreiras técnicas, das barreiras tarifárias”, disse. “Vai ser extremamente significativo o aumento das exportações para essa região, que hoje não representam muito.”
O acordo foi anunciado em Montevidéu, no Uruguai, onde ocorre a 65ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul. Com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; do presidente argentino, Javier Milei; do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou; e do Paraguai, Santiago Peña. Ao todo, o acordo envolve nações que somam mais de 750 milhões de pessoas.
A presidente da Comissão Europeia destacou que a medida marca o início de uma nova história. “Agora estou ansiosa para discutir isso com os países da UE. Este acordo funcionará para pessoas e empresas. Mais empregos. Mais escolhas. Prosperidade compartilhada”.
O presidente do Uruguai, anfitrião, lembrou que o acordo foi possível apesar das diferenças políticas entre os países do Mercosul. Para o mandatário, é uma oportunidade. “Um acordo desse tipo não é uma solução. Não há mais soluções mágicas. Não há burocratas ou governos para firmar a propriedade. É uma oportunidade. É muito importante que os passos sejam pequenos, mas seguros”, afirmou.
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