Imóvel localizado no bairro Cerâmica, em São Caetano, foi invadido na última quinta-feira por integrantes do Movimento de Mulheres Olga Benário
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A vereadora de São Caetano Bruna Biondi (Psol) manifestou apoio à Ocupação Alceri Gomes, invasão a um imóvel privado situado no bairro Cerâmica e organizado pelo Movimento de Mulheres Olga Benário. A ação ocorreu na última quinta-feira, motivada pelo Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, comemorado nesta segunda-feira (25). O movimento denuncia a insuficiência de políticas públicas para amparo às mulheres e para habitação social no município.
Bruna destacou a importância do que chamou de “ocupação” em suas redes sociais, afirmando que representa resistência em uma cidade marcada, segundo ela, por caráter “higienista e elitista”. “Nesta semana de combate à violência contra a mulher, vemos uma luta que é também um marco em São Caetano, uma cidade que muitas vezes é tomada pela especulação imobiliária e expulsa os mais pobres. Esta ocupação traz muita vida e luta para as mulheres”, declarou a vereadora.
Equipes da GCM (Guarda Civil Municipal) e da PM (Polícia Militar) foram até o local no último sábado com uma pessoa que teria se apresentado como proprietário do imóvel, mas o homem não teria conseguido comprovar vínculo com a área. De acordo com o movimento, o imóvel ocupado estava abandonado há mais de 30 anos e deverá ser transformado em uma casa de referência para acolher mulheres em situação de vulnerabilidade e violência, além de abrigar crianças, com previsão de incluir uma creche e uma cozinha comunitária.
Ainda em entrevista ao Diário, Bruna ressaltou que sua participação se limitou a apoiar a iniciativa, sem relação direta com o Movimento Olga Benário ou com o UP (Unidade Popular), partido que atuou na organização da invasão. “Entendemos que é importante a pressão exercida pelas mulheres para fomentar políticas voltadas à atenção a mulheres em situação de vulnerabilidade e violência”, afirmou.
A vereadora também destacou o papel de movimentos como esse para trazer à tona a falta de planejamento urbano e de políticas habitacionais na cidade. “O imóvel ocupado é conhecido na cidade e está desocupado há mais de 30 anos. Isso mostra como um espaço parado por tanto tempo pode ser transformado em uma ocupação cultural, um local de acolhimento ou mesmo em habitação social”, argumentou.
Bruna criticou a gestão do prefeito José Auricchio Júnior (PSD) pela inexistência de recursos destinados à habitação social. “A Lei Orçamentária da cidade destina apenas R$ 2.000 para essa área, o que reflete a falta de compromisso com questões como os cortiços e a inexistência de orçamento robusto para garantir políticas de habitação popular.
Ao mesmo tempo, diversos imóveis vazios e abandonados na cidade poderiam cumprir a função social prevista na Constituição, que determina que toda propriedade deve ter uma finalidade coletiva”, pontuou.
Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de São Caetano não havia se manifestado sobre a ocupação ou as críticas feitas pela vereadora.
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