Entrevista da semana
FOTO: André Henriques/DGABC

Reeleito com votação expressiva e atualmente à frente da presidência da Câmara Municipal de São Bernardo, Danilo Lima (Podemos) destaca seu compromisso com a cidade e atuação ao lado do prefeito eleito, Marcelo Lima (Podemos). Primo e aliado político, Danilo tem auxiliado na transição de governo e é cotado para cargos do alto escalão. “Deixei claro que o foco principal é o melhor para São Bernardo. Onde ele precisar, eu vou estar disposto a contribuir. Se for necessário trabalhar de domingo a domingo, faremos isso”, afirmou.
Danilo mantém a cautela sobre uma possível candidatura em 2026.
RAIO X
Em 2020, o senhor foi eleito com a maior votação da cidade e quase repetiu este feito em 2024. A que atribui esste resultado expressivo nas urnas?
Fiz duas campanhas muito parecidas, pedindo a participação popular não somente no momento eleitoral, do voto, mas que me acompanhassem depois de eleito. É claro que, de uma para a outra, tem a diferença do conhecimento, mas minha proposta sempre foi de pedir que as pessoas participassem de fato da política após a eleição.
O Senhor acredita que falta participação popular na política fora do período eleitoral?
Falta bastante. Vejo pelo movimento na Câmara.
O que espera daqui para frente com a vitória de Marcelo Lima (Podemos), seu primo, para a Prefeitura de São Bernardo?
Continuar (a administração). Temos hoje uma cidade considerada boa, que evoluiu bastante de 2017 até aqui. Não é perfeita, ainda está muito longe disso, mas vou ajudar o Marcelo dia e noite a continuar o que está bom e melhorar tudo que precisa ser melhorado. Não é fácil, mas temos coragem de trabalhar e, se for necessário, de domingo a domingo faremos isso em prol de uma São Bernardo melhor.
Como o senhor avalia as mudanças que promoveu na Câmara no período que esteve na presidência?
Tomei algumas atitudes com relação à participação popular. Fiz visitas monitoradas com grupos de todas as idades, nas quais mostro os gabinetes dos vereadores, o administrativo e a história da Câmara. Eles conversam comigo na presidência e termino essa visita dentro do plenário, dando a oportunidade de usar a tribuna, questionar, criticar, dar ideias. No fim, é um bate-papo bem legal. Criei também a Escola da Cidadania e fizemos mais de 40 palestras neste ano. Inclusive, na última semana, tivemos uma palestra do professor Luiz Felipe Pondé, com plenário lotado. Foi o encerramento do projeto neste primeiro ano. É uma forma de trazer as pessoas para aprender e, com isso, elas conhecem e podem passar a participar do trabalho – não só meu, mas de outros vereadores e da Câmara também. Levei jovens aprendizes para a Câmara. Então, são ações que a gente realiza no intuito de fazer as pessoas conhecerem o Legislativo.
Nestes dois anos na presidência, a Casa votou vários pedidos de impeachment contra o prefeito Orlando Morando (PSDB) e rejeitou todos. Como o senhor, enxerga a atuação da Câmara nessas votações?
Procuro ser o mais democrático possível. A decisão é do plenário e tento não interferir. No caso dos pedidos de impeachment, os vereadores comunicaram a vontade deles de colocá-los em votação. A lei me permitia que fosse colocado em votação e assim fiz. Eles, no final, rejeitaram todos. Não só como presidente, mas como vereador, procuro ser o mais democrático possível e conversar com as pessoas, porque a maioria sempre vence.
Recentemente, a Casa criou comissão processante para apurar denúncia contra o vereador Paulo Chuchu (PL). Ao Diário, ele criticou a atuação da comissão, dizendo que foi feita “de forma atropelada”. Como o senhor. enxerga os trabalhos nesse caso?
Nesse processo faço questão de seguir a legislação na íntegra. A comissão processante não podia ser criada de forma mais democrática e foi feita por sorteio. O vereador tem direito de defesa e vamos seguir a legislação. No final dos prazos, vamos colocar em plenário para votação. Mais uma vez é o plenário que vai decidir pela cassação ou não.
A população têm a visão de que esses processos sempre acabam em ‘pizza’. É justa esta forma de enxergar o trabalho no Legislativo?
Nós trabalhamos (na Câmara de São Bernardo) com bastante seriedade. Não abrimos um processo como este para depois acabar não dando em nada, mas também não abro mão de fazer estritamente o que a legislação pede. Então, vejo o trabalho com bastante seriedade. A comissão vai apurar os fatos e, após analisar tudo que aconteceu nesta denúncia, decidir pela cassação ou não.
Dois vereadores – Joilson Santos e Aurélio – já manifestaram interesse em disputar a presidência da Câmara. Como o senhor enxerga essas candidaturas?
Estou muito tranquilo em relação a isto, sou muito de grupo. Hoje temos uma grande base aliada – eleita e reeleita – de apoio ao governo do Marcelo Lima. Vamos votar e fazer o que é bom para a cidade. São poderes diferentes e distintos, vamos respeitar isso. Se tiver de cobrar ou criticar vamos fazer também. Com relação à eleição da presidência, ainda acho um pouco cedo (a discussão). Porém, claro, é legal quando as pessoas se sentem à vontade e têm intenção (de disputar), se declaram candidatos também, mas vai de avaliação dos outros vereadores, que vão dar o voto em quem confiam e acreditam que será um bom presidente.
O senhor será candidato à presidência?
Não parei para pensar nisso ainda, pois estamos em um momento em que eu estou procurando ajudar o Marcelo Lima na transição. Ajudá-lo a enxergar todo o processo, pois mesmo ele tendo conhecimento de seis anos como vice-prefeito, ainda tem muita coisa. Depois tem a parte de finanças e vai começar a pensar no primeiro escalão, secretários a serem nomeados. Acredito que ele deve fazer isso até o início de dezembro. Aí sim vamos reunir nosso grupo para pensar em Câmara, presidência, composição de comissões. Porém, é uma satisfação quando falam: ‘Seu nome foi citado’. A gente fica feliz, estou no caminho certo.
O senhor. vai estar neste primeiro escalão nomeado pelo Marcelo Lima?
Eu deixei bem claro ao Marcelo que faríamos o que fosse melhor para São Bernardo, para nosso grupo, claro, mas em primeiro lugar priorizando o que é melhor para a cidade. Eu brinco que onde me colocar para jogar eu vou jogar.
É possível pensar em uma candidatura a deputado federal em 2026?
Temos essas conversas, mas também somos muito pés no chão. Não podemos, de forma nenhuma, pensar em 2026 agora. O que temos de fazer é pensar, a partir de 1º de janeiro de 2025, no grande compromisso que assumimos com todos os moradores de São Bernardo, na esperança e expectativa que eles têm no Marcelo Lima como prefeito, em nós como vereadores eleitos e reeleitos, em construir, cada dia, uma cidade melhor. Estou 100% focado nisso. Quando 2026 chegar pensaremos em possível candidatura a deputado federal ou estadual.
O que motivou o senhor. a escolher o Podemos?
O PSDB ficou muito enfraquecido, não só em São Bernardo, mas praticamente em todo o Brasil. Veio essa proposta do Podemos, e conhecemos a Renata Abreu, presidente nacional do partido, que nos acolheu super bem. É um partido que, para nós, está dando super certo. A população aceitou muito bem, tivemos um número eleitoral bom e uma proposta boa. A principal proposta do Podemos vai muito ao encontro do meu pensamento, que é trazer a participação popular na política. Trazer mais pessoas, a população comum, para participar do dia a dia da política de cidade. Isso encaixou muito bem no meu perfil e no que eu acredito.
São Bernardo realiza hoje a audiência pública sobre a LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2025. O senhor poderia fazer uma avaliação sobre o Orçamento do próximo ano e a importância da participação popular?
Eu devo participar da audiência pública para tirar dúvidas com o governo em relação a valores, alguns investimentos. Vamos votar assim que os vereadores estiverem tranquilos, entendidos e tirarem todas as dúvidas, passando em plenário para votação. Está no expediente e estamos adiando a pauta. Pode ser que na próxima quarta-feira, depois dessa audiência pública de segunda-feira, a gente já faça a votação, mas temos até o dia 11 de dezembro, que é o último dia de sessões plenárias neste ano. Se não for votada, não consigo dar o recesso, mas acredito que não vai ser necessário.
O Legislativo de São Bernardo é a única na região que não possui TV Câmara. Há algum projeto para mudar isso?
Sim, nesses dois anos que estive como presidente não consegui implementar, mas realizei alguns estudos, principalmente com relação a valores, uma funcionalidade boa. Temos de tentar fazer o melhor possível e implementar uma que de fato atenda nossa necessidade e realidade. Não tenho nada definido, mas tenho alguns estudos que podem ficar para os próximos que assumirem.
O que foi avaliado?
Se a transmissão seria integral ao vivo ou faria com cortes, só a parte da votação, se serão disponibilizados para todos os vereadores cortes exclusivos para colocar nas redes sociais deles. Se será feito com pessoal terceirizado em contrato ou com algumas pessoas que temos lá hoje também.
Agora reeleito vereador, quais serão suas prioridades? Quais projetos a população pode aguardar?
Hoje ainda tem aquela dúvida: ‘Você é vereador de que bairro, Danilo? Qual causa você defende?’ Sempre reforço com eles que sou vereador da cidade de São Bernardo. Nasci no Grande Alvarenga, mas depois de eleito tenho de atender a cidade como um todo. Quanto às causas e projetos, meu compromisso é defender o que a população precisa. Nunca serei um vereador de uma única causa ou que defenda apenas algo específico. Meu objetivo é atuar em todas as necessidades da população. Inclusive, tenho um projeto voltado às escolas estaduais, no qual os alunos podem nos apresentar propostas para uma “cidade do futuro”.
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