Inclusão Darci Brás, 82, tem orientado grupos regionais em festivais pelo País e relaciona arte à vitalidade
FOTO: Divulgação

Com a plateia lotada mesmo em domingo de chuva, no último dia 3, 100 dançarinos acima de 60 anos celebraram em passos ritmados a importância da arte e bem-estar na terceira idade. A performance no Teatro São Bento, em Santo André, foi coordenada pela coreógrafa paulista Darci Brás Bariani, 82 anos, responsável por incluir idosos da cidade em festivais de dança pelo País.
Formada em balé clássico pela Escola Paulista de Dança e especialista em dança flamenca, Darci começou o movimento senior na região ao se mudar para o Jardim Stella, em 2010, com a criação do grupo Ritmos da Alma em uma iniciativa da Fefisa (Faculdade de Educação Física de Santo André). A partir da visibilidade, outros seis corpos de dança nasceram dos ensinamentos da coreógrafa: o Grupo do Aramaçan (no Clube Atlético do Aramaçan), Grupo Florescer (do Centro Educacional da Vila Humaitá), Grupo Vamos Bailar, Grupo Sintonia, Grupo do Barulho e o Passo e Compasso (quarteto de coletivos nascidos no Centro Comunitário Padre Capra).
Para a profissional, os anos de repertório fora dos palcos amadurecem quem conquista os holofotes na terceira idade. “Para coroar esta última apresentação na característica senior, escolhemos o nome de Espetáculo Memórias. Há senhoras que mudam completamente a personalidade e a disposição quando maquiadas. A autoestima é outra. Acho que a dança faz mesmo a gente ficar mais novo, traz vitalidade”, opina.
Segundo ela, a participante mais velha entre os 100 dançarinos tem 91 anos e, dentre os sete grupos, três homens somam à maioria de mulheres. A composição é também o fruto de uma trajetória contra o preconceito.
“Esta geração nasceu em uma época muito diferente. Hoje, por exemplo, você vê como é comum que os pais coloquem suas crianças em aulas de balé. Antes isso era totalmente disruptivo. Assim como para mim, que sempre gostei da dança, mesmo quando não era algo bem-visto, para os alunos, também requer coragem subir aos palcos, fazer o que se gosta”, esclarece Darci, que lecionou inicialmente de forma voluntária e amadora aos colegas de escola, quando tinha 15 anos.
FESTIVAIS E INCENTIVO
Há mais de uma década, o grupo Ritmos da Alma (primeira formação dos idosos mobilizados por Darci) participa do principal evento de dança do Brasil e mundo, o Festival de Dança de Joinville.
A ideia é selecionar os membros desta turma e interessados das demais para a participação em ao menos um festival internacional. “Recebemos o convite de um amigo da Argentina. Os detalhes estão sob decisão e o nosso objetivo está mais perto de ser concluído”, comemora a coreógrafa.
Para fazer uma aula experimental e se tornar membro em um dos grupos dançantes, basta comparecer ao Centro Comunitário Padre Capra, situado à Rua Padre Capra, 84, na Vila Assunção. As agendas de aula gratuita são de segunda a sexta-feira, entre 14h30 e 16h30.
“A dança é o exercício mais completo que existe para a gente da terceira idade. Traz memória, autonomia, equilíbrio. Quem vem, vira aquele idoso mais leve, não se queixa de tantas dores. Se pudesse reforçar o convite é: não fique só costurando e fazendo crochê sozinha, dar uma chance à dança pode fazer muito bem ao seu corpo e alma”, finaliza.
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