Ato foi promovido por movimentos sociais da região e contou com cerca de 800 participantes; concentração ocorreu na Praça da Matriz
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Em celebração ao Dia de Zumbi e da Consciência Negra, comemorado pela primeira vez neste ano em todo território nacional, o Fórum Antirracista de São Bernardo promoveu na manhã desta quarta-feira uma marcha pela região central do município. Apesar do Sol forte, a terceira edição do ato reuniu o maior número de participantes da história do evento, segundo estimativa dos organizadores foram cerca de 800 pessoas, entre moradores, integrantes de movimentos sociais, de entidades e de partidos políticos.
A marcha em prol da luta antirracista e pela igualdade racial no Grande ABC começou a concentração por volta das 9h, na Praça da Matriz. De lá, os manifestantes seguiram pela Rua Marechal Deodoro, no entorno do Paço Municipal e finalizaram o ato na sede do Projeto Meninos e Meninas de Rua, na Rua Jurubatuba. No espaço, foram promovidas atividades culturais com apresentações de dança e leitura de poesias.
Além das falas dos movimentos sociais, que abordaram a resistência e os direitos da população negra no município, a marcha também foi conduzida por apresentações culturais de capoeiristas. Durante a passeata, o Fórum Antirracista distribuiu materiais impressos sobre a história do dia 20 novembro, sobre a luta contra o racismo e também denúncias de encerramento de políticas públicas voltadas para esse grupo no município nos últimos anos.
A integrante do fórum, Clarice Catenaci, 36 anos, ressaltou que a realização do ato é importante para marcar a luta do povo negro por seus direitos. “E também para mostrar que estaremos nas ruas porque uma cidade antirracista quem faz e cobra é a população. O saldo da marcha foi positivo, aglutinou diversas faixas etárias, instituições e entidades pela reivindicação da população negra, na luta por memória, reparação e mudança social”, afirmou.
O coordenador do Projeto Meninos e Meninas de Rua, Marco Antonio da Silva, 50, conhecido Markinhus, falou sobre o encontro e a troca de experiências entre diferentes gerações durante a marcha. “Tivemos a participação de muitas crianças do projeto e também de famílias que levaram seus filhos, além da presença de idosos. Esse encontro simboliza a passagem de bastão entre as gerações para a continuidade da luta antirracista, que é uma batalha de toda a sociedade”, disse.
Markinhus também pontuou sobre a importância de incluir outros grupos sociais em situação de vulnerabilidade na luta pela resistência e igualdade. “Apesar de a data ser especial para comunidade negra, também celebramos a resistência de outros povos marginalizados, como os indígenas e todos aqueles excluídos por conta da sua etnia ou modo de vida”, ressaltou o coordenador do projeto.
MELHORIAS
Membro do fórum e do coletivo antirracista Dandara ABCDMRR, Elber Pergentino Almeida, 31, relembrou a denúncia de racismo institucional protocolada em maio de 2022 no MP (Ministério Público de São Paulo) contra a Prefeitura de São Bernardo sobre desmontes de políticas públicas voltadas a população negra do município.
“Esse é o terceiro ano seguido em que fizemos a marcha da Consciência Negra na cidade. Com isso, mostramos que nossa disposição de luta permanece. Lutamos contra o racismo institucional denunciado por diversas organizações que compõem o Fórum. Não toleraremos a perseguição e desvalorização da nossa cultura, é necessária proteção às batalhas de MC's. É necessário o cumprimento efetivo das leis 10.639/2003 e 11.645/2008, para que a educação seja antirracista e valorize a história e cultura afro-brasileira e indígena”, reforçou.
Além disso, Almeida falou sobre a necessidade da Prefeitura promover a data na cidade. “O Dia da Consciência Negra, agora feriado nacional, deve ser respeitado, com o município promovendo atividades relacionadas a essa data que representa nossa luta, além de promover práticas antirracistas durante todo o ano”, finalizou.
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