Controlado Incidente aconteceu na divisa de Diadema; pai, mãe e dois filhos fugiram do fogo pelos fundos da casa, enquanto incêndio tapava fachada
FOTO: Celso Luiz/DGABC

“Só deu tempo de pegar a família e descer. Conseguimos ajudar outra família a sair por um telhado próximo à nossa casa. Estava pegando fogo em muita coisa.” O relato é de Carlos Daniel, 18 anos, morador de residência que fica ao lado de onde um ônibus pegou fogo na manhã desta segunda-feira (11), na divisa de Diadema com São Paulo, no bairro Eldorado. O incêndio, que consumiu o coletivo da empresa A2 Transportes, que fazia a linha 5010-10 (Jabaquara - Santo Amaro), na Rua Dr. José Silvio de Camargo, altura do número 27, atingiu fios de eletricidade e danificou comércios e residências próximos.
Daniel descreveu que ele e sua família (pai, mãe, um irmão, três irmãs e uma sobrinha) ficaram presos em casa devido às chamas e tiveram que utilizar uma rota alternativa pelos fundos da residência para sair na rua de trás. Outros parentes, como uma tia, uma cunhada e a mãe dela, além de primas, também teriam usado a rota de fuga. Segundo ele, a intensidade do incêndio alcançava a rede elétrica e estourava vidros da casa. “No salão de cabeleireiro do meu irmão, que fica ao lado, o fogo ‘empurrou’ todo portão.”
Além da residência, um carro da família, que estava estacionado na rua, também foi parcialmente atingido. O jovem explicou que, embora o fogo não tenha entrado na casa, o calor e a fumaça tornaram impossível a saída pela porta principal. “No começo, as chamas estavam só no ônibus, estourando os pneus. Depois, se espalhou e veio queimando.”
A SPTrans informou que o incidente, registrado às 10h37, foi causado por uma pane elétrica e que o ônibus de prefixo 6 8469 estava vazio, com apenas o motorista a bordo – o funcionário conseguiu escapar sem ferimentos.
Outro morador da região, Antônio de Araújo de Assis, 64, aposentado, presenciou o incêndio e relatou que o fogo se alastrou rapidamente após o motorista sair do ônibus, visivelmente abalado. “A sequência foi: começou a pegar fogo, o motorista desceu, ficou aqui fora, e logo a polícia chegou. Ele ficou ali, apavorado, enquanto o fogo se alastrava. Pouco tempo depois o fogo já furou o teto (do ônibus) e foi para a parte de eletricidade”, disse Antônio, que observou tudo do terraço de sua casa.
Assis também relatou que os bombeiros levaram cerca de 30 minutos para chegar ao local e outros 15 minutos para controlar o incêndio. “Estava no meu terraço olhando, a situação sempre se agravando, e a preocupação era grande, mas depois foi controlado”, relatou o aposentado, que descreveu o temor diante da impossibilidade de agir enquanto o fogo ameaçava as casas.
O aposentado comentou ainda que o motorista estava em choque e permaneceu próximo ao veículo, ignorando os pedidos da polícia para se afastar devido ao risco de explosão. “Ele não obedecia nem à polícia, que falava para ele sair de perto, porque a vontade dele era ir lá dentro. Ele se preocupou com o que estava acontecendo”, contou.
As famílias afetadas precisaram esperar a chegada da perícia antes de retornarem para suas residências. Segundo informações dos moradores ao Diário, entre os imóveis atingidos, apenas uma casa ficou sem energia elétrica após o controle do incêndio.
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