Representação tem como fundamento suposta tentativa do vereador de intimidar e coagir jornalista ao mostrar que portava arma de fogo
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A Câmara de São Bernardo aprovou, nesta quarta-feira (30), por 19 votos favoráveis e seis contrários, representação do Psol contra o vereador Paulo Chuchu (PL) e criou comissão processante para analisar a denúncia de abuso de autoridade, ameaça e violação do decoro parlamentar contra o liberal. A presidência da comissão ficou com Netinho Rodrigues (Podemos), a relatoria com Estevão Camolesi (Cidadania) e tem Ana do Carmo (PT) como integrante.
Na representação, o advogado Jaime Luís Fregel Colarte Castiglioni relata que, ao término da sessão de 21 de agosto deste ano, Paulo Chuchu, acompanhado do vereador Lucas Ferreira (PL), aproximou-se do jornalista Artur Garcia Rodrigues e, “de forma insistente”, questionou-o sobre seu domicílio eleitoral, em quem votaria nas próximas eleições e se era petista. Ainda segundo a representação, Paulo Chuchu, “de maneira ameaçadora e intimidadora, bateu em uma arma de fogo que portava na cintura por baixo da camisa, cujo volume era visível, e afirmou: ‘É melhor tomar cuidado com o que responde. Ainda bem que eu tenho porte de arma’.”
Na denúncia apresentada à Câmara constam o Boletim de Ocorrência feito por Rodrigues e matérias jornalísticas que comprovam o “histórico impositivo agressivo” do vereador.
O advogado solicita na representação que os autos e os procedimentos parlamentares sejam encaminhados ao Ministério Público, e que a Câmara explique se concede autorização para que um legislador porte arma de fogo no recinto de participação popular e se permite ameaças explicitas a cidadãos.
Paulo Chuchu afirmou ao Diário que a denúncia de Arthur Garcia foi inventada e que as imagens das câmeras da Câmara podem comprovar. “Não aconteceu (a coação). Foi inventada não sei por qual motivo. Ele fez BO, mas não representou. Então, não pude me defender. Cabe à vítima a representação. Estou aguardando ser chamado para mostrar as imagens, que falam por si”, disse.
Quanto à aprovação, o vereador se disse surpreso com alguns colegas que aprovaram a denúncia. “Foi político, talvez vingança. Estou chateado. Diversas vezes apertaram minha mão e aprovaram esse absurdo. Porém, para isso existe advogado”, pontuou.
O presidente do Psol de São Bernardo, Anderson Dalécio, afirmou ao Diário que a postura adotada na quarta pelos vereadores não tem relação com o comportamento de Paulo Chuchu, mas sim com um vídeo que o vereador publicou nas redes sociais a poucos dias do 2º turno das eleições, fazendo críticas e acusações aos políticos.
“(Chuchu) colocou vários políticos no mesmo balaio e isso levou a bancada do prefeito eleito, Marcelo Lima (Podemos), a aceitar a denúncia do Psol, mas nosso partido está além das eleições. Estamos aqui para defender a população”, avaliou.
Marcelo Lima afirmou que a denúncia contra o liberal já mostra quem ele é e que cabe investigação criminal por sua postura contra o jornalista. “Deixo claro que repudio a forma como ele desrespeita o jornalismo. Com certeza a Câmara vai tomar a atitude ética e moral contra qualquer cidadão que agir assim”, disse.
O prazo para início dos trabalhos da comissão é de até cinco dias a partir da data da constituição (quarta). O grupo tem até 90 dias para finalizar os trabalhos. Caso o prazo não seja cumprido, a denúncia será automaticamente arquivada.
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