O ocorrido foi registrado nesta sexta-feira (25) na EME Professora Alcina Dantas Feijão
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A diretora da EME Professora Alcina Dantas Feijão, Sandra Gimenez, acusou o vereador eleito, Getúlio Filho (União Brasil) de invadir a instituição nesta sexta-feira (25). Ele registrou todo o ocorrido nas redes sociais e mostrou que estava dentro do auditório, onde alunos do Ensino Médio assistiam a uma palestra sobre diversidade, antes de ser abordado por funcionários.
Ao Metrópoles, a diretora explicou que o conteúdo da palestra tinha o intuito de reduzir o preconceito contra a população LGBTQIPN+ e está descrito na Base Nacional Comum Curricular. “É uma sensibilização sobre diversidade, só que o foco maior foi nos gêneros, fluido, que tem várias nomenclaturas, binária, não binária, foi falado da mulher trans, homem trans, o quanto essas pessoas sofrem, quantos casos de homicídio [há em relação a essa população]”, explicou.
No entanto, revoltado com o conteúdo, o futuro vereador Getúlio Filho foi até a escola no momento da palestra e, segundo funcionários, alegou ser pai de aluno para conseguir entrar no local. Ele se dirigiu até a sala onde ocorria a atividade, registrando todo processo nas redes sociais, e posteriormente foi abordado para se retirar do local.
Uma orientadora Educacional, identificada no vídeo como Valéria, questionou: “O senhor é pai de aluno?”, disparou. Em negativa, ele alegou que entrou na escola com autorização do porteiro. “O senhor invadiu o auditório onde estão os alunos”, rebateu ela. Getúlio, então, desafia a funcionária a chamar a polícia.
A diretora se aproximou da confusão, na tentativa de explicar a proposta da palestra e repreendeu a atitude do futuro vereador. “Que coisa feia”, disse. “Feia é essa palestra”, respondeu ele. “Você entrou na escola sem autorização e está abordando, criticando nosso trabalho. Isso aqui é um trabalho interno da escola. Não quero falar de polícia, quero tratar com você. Isso faz parte do nosso currículo”, apontou Sandra Gimenez.
“Um homem aparecer com barriga, grávido, é normal?”, questionou Getúlio. “Isso não vou discutir. Não estamos tratando um homem de barriga, estamos falando de respeito”, explicou a responsável pela instituição.
Depois da discussão, a equipe de seguranças foi chamada para retirá-lo do local. “Está invadindo uma instituição onde têm menores de idade”, apontou a orientadora. Os dois continuaram a discussão. “A senhora quer ser orientadora e colocar homem grávido para as crianças?”, alegou ele. “Homem grávido? Quem é o senhor?”, questionou Valéria, que continuou: “O senhor invadiu a escola. Como o senhor vai representar a cidade invadindo escola? O senhor é uma vergonha para meu município.”
Ao ser conduzido para fora da escola, Getúlio repreendeu os seguranças e alegou que se fosse seguido ele não deixaria a instituição. “Eu vou sair com a diretora. Já falei para não ir atrás de mim. Não vou invadir a escola, vim aqui de boa. Não me acompanha que eu vou sair. Se for atrás de mim eu não vou sair da escola”, afirmou.
Sandra Gimenez alegou ao Metrópoles que iria registrar um Boletim de Ocorrência por ele ter alegado ser pai de aluno para conseguir acesso à escola. A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública para solicitar informações do BO, mas foi informado que até às 19h27 a Polícia Civil não localizou a ocorrência. Também foram solicitadas respostas do vereador eleito e da prefeitura de São Caetano, que não retornaram o contato.
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