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Barroso condena ‘populismo extremista’

Presidente do STF se encontrou com estudantes do Ensino Médio de São Bernardo

23/10/2024 | 20:32
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FOTO: Karim Kahn/Sesi-SP
FOTO: Karim Kahn/Sesi-SP Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, participou nesta quarta-feira (23) de encontro com alunos do Ensino Médio do Sesi (Serviço Social da Indústria) de São Bernardo, na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na Capital. Durante o evento, o ministro expressou suas preocupações sobre temas centrais como democracia, inteligência artificial e mudanças climáticas, ressaltando a importância dos valores democráticos em um cenário mundial de instabilidade política. O ministro criticou duramente os “populismos extremistas de direita e esquerda que fluem pelos desvãos da democracia”.

Ao abordar o tema da democracia, o ministro destacou os desafios intrínsecos ao regime democrático, mas afirmou que continua sendo superior às ditaduras. “Democracia significa governo da maioria e a possibilidade de todos participarem em igualdade de condições, respeitadas as pessoas nos seus direitos fundamentais”, disse Barroso. Barroso também relembrou os tempos da ditadura militar no Brasil, afirmando que regimes autoritários trazem consigo censura, intolerância política e perseguições. “Palavra de quem viveu e enfrentou uma: ditaduras vêm com censura, intolerância política, presos políticos, tortura, exilados”, completou.

O segundo ponto de preocupação destacado pelo presidente do STF foi o impacto da revolução tecnológica, especialmente no campo da inteligência artificial. Ele ressaltou a velocidade com que essas mudanças estão ocorrendo. “Vivemos no mundo da revolução tecnológica e, portanto, há uma transformação profunda acontecendo, sobretudo da inteligência artificial. É a transferência de capacidades humanas para computadores por meio de programas em uma velocidade muito impressionante”, observou.

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Por fim, Barroso alertou para os riscos das mudanças climáticas, ressaltando a gravidade da situação no Brasil e no mundo. O ministro lembrou que o planeta passa por um momento crítico, citando exemplos como a maior seca da história na Amazônia, grandes queimadas no Pantanal e inundações no Rio Grande do Sul. “A natureza está avisando a todos nós que alguma coisa errada está acontecendo, e precisamos ser capazes de atuar em uma transição energética e transformação tecnológica para impedir que o planeta seja destruído”, enfatizou.

O ministro concluiu reforçando a necessidade de defender a democracia frente às ameaças dos populismos extremistas. “Quem pensa o mundo tem de se apegar aos valores democráticos, mas os populismos extremistas de direita e de esquerda fluem pelos desvãos da democracia. São basicamente as promessas não cumpridas de prosperidade e igualdade de oportunidades para todas as pessoas. Esse continua a ser o grande compromisso não cumprido das democracias”, afirmou.

PAPO SUPREMO

O encontro fez parte do projeto “Papo Supremo”, que visa abrir diálogo entre o STF e jovens estudantes para promover o pensamento crítico e discutir temas relacionados à Constituição. Os alunos escolheram discutir com Barroso o tema “Ações Afirmativas e o Enfrentamento da Desigualdade”.

Durante o debate, os estudantes destacaram as desigualdades que enfrentam, apontando falhas no sistema educacional e seu impacto sobre os alunos. Eles questionaram o ministro sobre como o STF pode contribuir para a promoção de ações afirmativas no combate às desigualdades, especialmente por meio de políticas públicas voltadas à educação básica.

Barroso respondeu ligando o combate às desigualdades as suas preocupações previamente discutidas, e destacou a importância de uma agenda nacional focada no crescimento econômico e social. “Uma agenda brasileira precisa incluir combate à pobreza, volta ao crescimento econômico, que depende imensamente da indústria. Sem crescimento, não há o que distribuir”, afirmou.

O ministro concluiu enfatizando as prioridades para o desenvolvimento do país. “Temos de enfrentar a pobreza e a desigualdade, voltar a crescer, dar prioridade máxima à educação básica, investir em ciência e tecnologia, e cuidar de questões indispensáveis como saneamento básico, moradia digna, transporte adequado e assumir uma liderança ambiental”, finalizou.




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