Conquistas Com média de 36% de renovação para 2025, os legislativos serão marcados pela divisão entre siglas de direita e de esquerda
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O PL (Partido Liberal) conquistou o maior número de cadeiras nas sete Câmaras no Grande ABC nas eleições do dia 6, marcada por renovação de 36% dos vereadores. A sigla de extrema direita é seguida de perto pelo PT (Partido dos Trabalhadores), de esquerda, e pelo PSD (Partido Social Democrático), de centro.
Em 2020, o PSDB elegeu 26 vereadores e conquistou a maior bancada legislativa na região, enquanto PT, PSD e Cidadania figuravam entre os partidos com maiores representações. No entanto, em 2024, o cenário é mais diversificado: o PL conquistou 17 cadeiras, seguido do PT, com 16, e do PSD, com 13. Na sequência, PSB e Podemos elegeram 12 vereadores cada um (veja gráfico ao lado).
Nas eleições deste ano, porém, o PSDB, esfacelado, só conquistou seis cadeiras, das quais quatro em Santo André, onde o partido resiste representado pelo prefeito Paulo Serra e pelo prefeito eleito, Gilvan Junior.
Em São Bernardo, Cidadania e Podemos conquistaram as maiores bancadas, com cinco cadeiras cada - partidos dos candidatos à prefeitura Alex Manente e Marcelo Lima, respectivamente, que disputam o segundo turno.
O PL elegeu a maior bancada em São Caetano, conquistando cinco cadeiras. Diadema foi um bastião para o PT, que elegeu cinco vereadores na cidade. Em Mauá, PT e PRD levaram a melhor, com três cadeiras cada. O PL também conquistou a maior bancada em Ribeirão Pires, conquistando cinco cadeiras. Por fim, em Rio Grande da Serra, o PSB foi o partido com maior número de vagas, elegendo três vereadores.
A cientista política Juliana Fratini pondera que a presença de múltiplos partidos nas Câmaras não indica, necessariamente, um cenário de dificuldades para aprovação de projetos. Segundo ela, “a pluralidade partidária não significa, de imediato, dificuldade para aprovação de projetos. É necessário avaliar em cada Câmara os alinhamentos partidários em função da proximidade ideológica e as demandas locais concretas que nada têm a ver com ideologia, como o atendimento da Saúde, o acompanhamento nos gastos de obras concretas, entre outras.”
A tradição política local ainda exerce influência, especialmente para partidos como PT e PSDB, que têm raízes profundas na região. Fratini observa que “existe uma tradição de forças políticas desses dois partidos, que eram os principais oponentes nas eleições antes do bolsonarismo e das novas direitas. A tradição pode prevalecer em decorrência da força dos diretórios municipais desses partidos, bem como de suas lideranças.” Esse histórico, diz ela, também se reflete na preferência do eleitorado, que muitas vezes opta por candidatos dessas siglas devido à continuidade de suas lideranças locais.
ALIANÇAS
Fratini também destaca o crescimento do Cidadania, que faz parte da federação com o PSDB, e do Avante, partido que se adapta rapidamente às forças locais. Em Santo André, Cidadania e Avante mostraram grande sinergia com o PSDB, que conquistou a Prefeitura. “Cidadania e Avante estão alinhados ao PSDB. Em São Bernardo, os partidos que disputam o segundo turno são Cidadania, em aliança com PSDB, e o Podemos, mais para a centro-direita. De modo geral, são partidos que se complementam em estilo e interesses. Com o poder nas mãos, devem crescer naturalmente, caso não ocorra nenhuma disputa fratricida (fogo amigo grave) entre eles,” observa Fratini.
Essa dinâmica de alianças também aparece em cidades como Diadema e Mauá, onde candidatos do MDB (Taka Yamauchi) e União Brasil (Atila Jacomussi) conquistaram apoio de partidos com base ideológica similar. Juliana Fratini avalia que, “para o segundo turno, é necessária a ampliação das coligações. Os candidatos oposicionistas de Mauá e Diadema têm a vantagem de poder aglutinar todos os partidos e valores de direita, liberais ou mais conservadores por pertencerem a partidos fisiológicos.”
CONSERVADORISMO
Em Ribeirão Pires, onde os partidos conservadores PL e PP predominaram, Fratini acredita que a política local será ditada por suas dinâmicas internas. “Na realidade, o prefeito eleito e o segundo colocado nas pesquisas são irmãos ideológicos, já que um é do PL e o outro do PP. A questão é se PL e PP vão atuar como fratricidas, de modo a eliminar um ao outro.” Para a cientista política, o desafio será balancear o discurso conservador com a sensibilidade para entender as demandas locais.
As próximas etapas do processo eleitoral e o desempenho dos novos eleitos nas Casas legislativas serão decisivos para definir como a pluralidade partidária, que se intensificou em 2024, impactará as políticas locais. Segundo Fratini, “será necessário observar o desempenho prático das forças políticas novatas antes de qualquer coisa. Se os novos mandatários não desempenharem, não devem ter muito apoio em geral, o que será um problema para se fortalecer no futuro.”

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