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‘Caixinha’ para religar energia foi grito de socorro, diz morador de prédio

Segundo denúncia, técnicos da Enel teriam cobrado R$ 500 para restabelecer serviço em condomínio de S.Bernardo no último domingo (13)

18/10/2024 | 21:21
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Segundo denúncia de um morador, que pediu anonimato por questão de segurança, dois técnicos da Enel teriam cobrado R$ 500 reais para religar a energia no Condomínio Reserva do Bosque, no bairro Planalto, em São Bernardo. Após 48 horas sem luz – o serviço havia sido interrompido na sexta-feira (11) à noite por conta do temporal –, os colaboradores da concessionária teriam restabelecido o serviço na tarde de domingo (13), depois do pagamento. 

Segundo o relato, tudo começou quando um dos moradores do condomínio abordou os técnicos da Enel que estavam atuando na rede elétrica da Rua Professor Rubião Meira e questionou se a energia não poderia ser religada no edifício, único local da vila que estava às escuras por conta de um transformador que estava desligado. Os profissionais, então, teriam informado que não poderiam restabelecer a energia porque estavam sem a ordem de serviço.

Supostamente para poder conseguir o documento e religar a energia, os técnicos da concessionária então teriam cobrado pagamento de R$ 500 para “agilizar o procedimento”. Ao ser informado do valor, o morador enviou as informações no grupo de WhatsApp dos residentes do condomínio, que aceitaram fazer uma vaquinha para arcar com o custo (Veja conversa na imagem). 

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Cerca de 12 pessoas contribuíram e o valor arrecadado foi enviado via Pix ao suposto técnico da Enel – a reportagem do Diário teve acesso ao comprovante da transferência, que foi enviado às 16h40. O condomínio conta com 152 apartamentos e cerca de 600 moradores. 

Logo após o pagamento, a energia foi restabelecida pela equipe. “Quando desci para acompanhar a situação, questionei um dos técnicos sobre a cobrança do ‘cafézinho’. Ele confirmou e ainda disse que tinha saído barato para a gente, porque eles estavam cobrando de R$ 1.000 a R$ 1.200 para fazer o serviço. Os moradores que pagaram estavam desesperados, pois estavam havia dois dias sem luz. Essa propina foi um grito de socorro”, relatou ao Diário o denunciante. 

O grupo de moradores não registrou BO (Boletim de Ocorrência) e não prestou denúncia à Enel.

São Bernardo foi um dos municípios da Região Metropolitana mais afetados pelo apagão que começou na última sexta-feira. No sábado (12), a cidade ainda registrava 70,4 mil imóveis afetados, no domingo eram 60,4 mil e, na segunda-feira (14), 28 mil consumidores continuam às escuras. Seis dias depois do blecaute,já na quarta-feira (14), moradores afirmavam que o serviço não tinha sido completamente restabelecido.

APURAÇÃO

Questionada, a Enel afirmou que irá apurar o caso, mas não confirmou se o técnico que recebeu o Pix faz parte do seu quadro de funcionários – a reportagem enviou à empresa os dados do homem que recebeu a transferência bancária. A concessionária também não disse quais medidas foram realizadas perante a denúncia. 

“A Enel reforça que adota rigorosos padrões éticos em todas as suas operações e no relacionamento com seus clientes e fornecedores”, pontuou a concessionária. 




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