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Nível do sistema Rio Grande é menor que em crise de 2014

Principal reservatório da região perdeu 35,3% do volume em 6 meses; especialista diz que dificuldade de abastecimento pode ser ‘novo normal’

Beatriz Mirelle
16/10/2024 | 08:59
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Sistema Rio Grande, braço da represa Billings que abastece cidades do Grande ABC, está com sua capacidade em 61,7% – nível mais baixo que o registrado durante as crises hídricas de 2014 (62,1%) e de 2021 (64,2%). 

Nos últimos seis meses, o sistema perdeu 35,3% do volume, o que corresponde a 3,9 bilhões de litros (equivalentes a 197.680 caminhões-pipa de 20 mil litros). O reservatório é responsável por abastecer cerca de 1,4 milhão de pessoas na região. Sua produção é de 4.690 litros de água tratada por segundo. 

Apesar de em queda, o Rio Grande tem o maior nível em comparação a todos os sistemas do Estado – sendo que o menor valor é registrado no Rio Claro (24,6%), que também abastece Santo André, São Bernardo e Ribeirão Pires, ainda que em menor escala. 

DGABC

A bióloga Marta Marcondes, coordenadora do Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), reforça que o nível do Rio Grande tem diminuído diariamente e a dificuldade de abastecimento pode ser o “novo normal”. “Temos uma média histórica do braço do Rio Grande muito satisfatória, com volumes ótimos. Agora, vemos que a capacidade está cada vez menor. As cabeceiras dos rios que enchem esse sistema precisam ser protegidas. Existe uma supressão e retirada de vegetação, sem que os municípios pensem que o Grande ABC não se pode dar ao luxo de perder área florestada. Se não há floresta, não há água. Devemos criar uma unidade enquanto região para preservação da Represa Billings. Caso contrário, daqui a um ou dois anos, estaremos chorando porque a gente não tem água.” 

O Cantareira, que fornece água para Santo André e São Caetano, e o Alto Tietê, que abastece Mauá, também têm índices alarmantes – com 47,7% e 43,4% de seus volumes, respectivamente. “Tivemos chuvas nos últimos dias, mas nada que aumente os níveis de maneira significativa. Não vemos um compromisso do gestor público com a preservação. Nossa região é um pequeno espelho do que acontece na Amazônia. Temos o contraforte da Serra do Mar, as nascentes, mas não cuidamos da maneira necessária”, complementa Marta. 

A Sabesp diz que os volumes dependem em grande parte do nível de pluviometria que ocorre em cada represa. 

“Mesmo que esteja chovendo torrencialmente, isso não significa que os níveis das represas e dos reservatórios estejam a subir. Para subir o nível de água, é preciso que chova nas represas e nos rios que abastecem as represas e não na cidade”, afirma.




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