Setecidades Titulo Batendo panelas

Moradores da região protestam contra Enel por falta de energia

S.Bernardo foi um dos municípios mais afetados pelo apagão que teve início na última sexta-feira, após um forte temporal

14/10/2024 | 08:51
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FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O domingo foi marcado por protestos no Grande ABC. Após dois dias sem luz, moradores de dois bairros de São Bernardo realizaram manifestações contra a Enel por conta da demora para o restabelecimento da energia elétrica. O município foi um dos mais afetados pelo apagão na Região Metropolitana, após temporal na noite de sexta-feira (11). Segundo a Defesa Civil do Estado, as rajadas de vento bateram recorde e chegaram a 107,6 km por hora.

O primeiro ato ocorreu no início da tarde, na Avenida Maria Servidei Demarchi, quando moradores do Terra Nova fecharam uma pista. O grupo com cerca de 15 pessoas levou cartazes, caixa de som e panelas para chamar a atenção da situação no bairro, que ficou sem energia após um pinheiro derrubar a fiação elétrica. De acordo com informações dos moradores, a previsão dada para restabelecimento no local era de até quatro dias úteis.

O engenheiro Fábio da Silva Secco, 54 anos, explica que o bairro é cercado por grandes pinheiros e que os moradores solicitam há pelo cinco anos a poda das árvores em degradação à Prefeitura. “É um problema antigo. É preciso fazer a remoção dessas árvores para evitar situações como essa. Não temos como ficar tanto tempo sem energia. Há pessoas que trabalham de casa, a comida já está estragando”, falou Secco.

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A outra manifestação foi realizada por moradores do bairro Santa Tereza, no Rodoanel Mário Covas, no sentido Régis Bittencourt. No início da noite de ontem, a via, próximo ao km 65, ficou fechada e chegou a registrar congestionamento, segundo a SPMar, responsável pela administração do trecho. A concessionária disse que às 18h49 a pista foi liberada. 

Até a última atualização da Enel, às 16h de ontem, cerca de 760 mil consumidores continuavam sem luz na Região Metropolitana, sendo 47 mil em São Bernardo – a distribuidora não divulgou dados das outras cidades da região. A empresa afirmou ter restabelecido o serviço para 1,3 milhão de clientes até este domingo, porém não informou a previsão para religamento total. 

Além da falta de energia, moradores de São Bernardo e Mauá também enfrentaram o desabastecimento hídrico. Segundo a Sabesp, Mauá foi o município mais afetado ontem pela falta de água, com registro em 18 bairros. 

Em Diadema, pelo menos 110 pontos da cidade continuavam sem luz no domingo, de acordo com informação da Prefeitura. Cerca de 80% do município chegou a ficar sem energia elétrica e, até ontem, ainda havia registros de queda de árvores a serem atendidos, os quais, segundo o Paço, necessitavam da desenergização da rede para atuação.

Diadema registrou duas vítimas em decorrência da tempestade. Um homem de 40 anos morreu no bairro Casa Grande após ser atingido por uma árvore e uma pessoa ficou ferida devido à queda de um galho, mas foi socorrida por equipes da Prefeitura. 

Até ontem, Ribeirão Pires ainda tinha bairros sem luz, porém a Enel não informou o número de imóveis afetados. Em São Caetano, no bairro Fundação, o muro da antiga fábrica da Matarazzo caiu e atingiu um carro. Em Santo André, foram registradas 82 quedas de árvores, e a Prefeitura disse que ainda há árvores caída nas vias e que estão sobre a fiação da Enel. “Que ainda não realizou o desligamento de energia, podendo causar acidentes com os operadores”, pontuou o Paço.

Por conta do temporal, o município andreense contabilizou ainda um deslizamento de terra, oito destelhamentos, duas quedas de muro, fechamento de vias e danos em imóveis públicos e particulares. imóveis impactados. 

Tarcísio e ministério pedem o fim do contrato da Enel

A pressão pelo fim da concessão da Enel, empresa que opera o serviço elétrico na Capital paulista e Região Metropolitana, uniu o governador do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o Ministério de Minas e Energia, do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em meio ao recente apagão.

Tarcísio pediu o fim da concessão por caducidade, como é conhecida, no jargão administrativo, a extinção de um contrato por inexecução do acordo celebrado entre as partes. “Se o Ministério de Minas e Energia e, sobretudo, a Aneel, tiverem respeito com o cidadão paulista, o processo de caducidade será aberto imediatamente”, disse o governador em seus perfis oficiais.

A Pasta de Minas e Energia, chefiada por Alexandre Silveira, por sua vez, oficiou a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) pedindo mais rigor de fiscalização sobre a Enel. O órgão informou ainda que, na sua avaliação, a concessionária não apresenta “qualquer indicativo” que embase a renovação do contrato.

MINISTÉRIO PÚBLICO

O promotor Silvio Marques, da Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, disse que vai incluir o mais recente apagão em São Paulo no inquérito que investiga possíveis irregularidades no serviço prestado pela Enel.

De acordo com o promotor, é preciso esperar que a situação seja normalizada para agilizar as providências. Isso porque ele ainda aguarda que o Estado e os municípios atingidos informem sobre os prejuízos causados pelo apagão.

Além do MP, o Procon-SP anunciou que vai notificar a Enel para que explique os motivos da demora para restabelecer o fornecimento de energia elétrica. 

REUNIÃO

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, agendou para hoje (14) uma reunião com o presidente da Aneel, Sandoval Feitosa, para discutir o restabelecimento da energia em São Paulo. O encontro será às 10h na sede da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), na Avenida Paulista. Silveira diz que não admitirá “qualquer omissão” por parte da Aneel em relação ao caso. (do Estadão Conteúdo)




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