18° Desafio de Redação Com tema de Inteligência Artificial, Brayan Santos, aluno de Diadema com baixa visão, falou sobre robotização das profissões e avanços na medicina
FOTO: Denis Maciel/DGABC

O Desafio de Redação, promovido pelo Diário, já recebeu mais de 1.570 milhão de textos desde a primeira edição, em 2006. Neste ano, 315 colégios participam, e uma das produções textuais que mais chamaram a atenção foi a de Brayan Ferreira dos Santos, 14 anos, do 9º ano da PEI (Escola Estadual de Período Integral) Anecondes Alves Ferreira, no bairro Casa Grande, Diadema. Estudante com baixa visão, ele encaminhou a redação sobre “O impacto da Inteligência Artificial” em braille.
“Toda a escola parou um dia, no fim de setembro, para realizar o Desafio de Redação. Em média, 400 estudantes participaram. O Brayan falou que gostaria de fazer e perguntou se poderia gravar o áudio do texto. Nós dissemos que sim, mas que também poderia mandar em braille. É importante pensar em ter um mecanismo de avaliação voltado para essa questão da inclusão. Ele ficou surpreso com essa possibilidade”, relata Elzi Claúdia, coordenadora pedagógica geral.
Segundo ela, os rascunhos do concurso literário são usados como pontos de participação para os alunos. “O próprio governo do Estado tem um incentivo à produção textual. As escolas aproveitam o Desafio de Redação para trabalhar a temática em sala de aula e também valer como uma forma de avaliação interna.”
Brayan dos Santos afirma que se interessou pelo tema e decidiu explorar tanto as vantagens quanto desvantagens da Inteligência Artificial. “Estou feliz em ter participado, ainda mais escrevendo em braille. É um assunto muito atual. Citei que traz inúmeros avanços tecnológicos, principalmente para a medicina, mas também comentei sobre a robotização das profissões, que pode aumentar o desemprego. No supermercado, já vemos alguns atendentes serem substituídos por máquinas.”
O estudante encaminhou ao Diário tanto a versão em braille quanto a digitada.
ALFABETIZAÇÃO
O Grande ABC tem, ao menos, 252 estudantes com deficiência visual matriculados na rede pública de ensino. Na PEI Anecondes Alves Ferreira, a máquina de braille chegou apenas neste ano. “Antes, a professora (da sala de recursos) usava botões e celas de madeiras para eu pudesse tatear. A máquina ajuda muito para que eu faça minhas atividades de uma maneira mais fácil.”
A coordenadora explica que a máquina é disponibilizada pelo Estado quando o aluno já está pré-alfabetizado. “À medida que ele foi perdendo a visão, a professora da sala de recurso multidisciplinar buscou mecanismos para auxiliá-lo. Os docentes tentam avaliá-lo mais de forma oral, mas a máquina tem aprimorado muito a aprendizagem dele”, diz.
Para Elzi, a participação no Desafio ajuda a incentivar. “Quando decidimos encaminhar o texto em braille, foi justamente para que ele se sentisse visto e percebesse que é capaz de fazer o que quiser. A escola tem também uma missão fundamental.”
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