Ex-prefeiturável de Mauá diz que tomou decisão sem comunicar sigla e anunciou adesão ao PT na campanha do 2º turno no início da tarde
ouça este conteúdo
|
readme
|
Zé Lourencini, empresário e quarto colocado na corrida pela Prefeitura de Mauá, endossou no início da tarde desta sexta-feira apoio ao ex-adversário Marcelo Oliveira (PT), candidato à reeleição. A movimentação chamou a atenção e gerou discussões nos bastidores políticos da cidade sobre uma até então impensável união do PSDB com o Partido dos Trabalhadores, historicamente rivais. No entanto, após o presidente municipal do PT e deputado estadual Rômulo Fernandes declarar que os partidos estariam juntos no segundo turno na cidade, Lourencini anunciou sua desfiliação dos quadros tucanos. “Não conversei com ninguém. (Estão) sabendo agora”, desconversou o agora autointitulado ex-presidente da sigla. “Agora não tenho partido. Sou livre”, afirmou.
Pela manhã, no bairro Matriz, o núcleo da campanha petista havia chamado uma coletiva de imprensa para anunciar novos apoios com foco na segunda rodada de votação, no próximo dia 27. Porém, o ato foi cancelado e remarcado para o período da tarde. Antes de deixar o escritório do PT, Rômulo Fernandes respondeu questionamento do Diário sobre como foi construída a aliança entre os partidos historicamente adversários. “Não é só em Mauá, tem outras alianças. Olhando para o Estado, o PT apoiou o PSDB, mas o que nos leva a este projeto é o que a gente não quer para a cidade. É isso que nos une”, disse, ao fazer críticas a Atila Jacomussi (União Brasil), deputado estadual e ex-prefeito que tenta retornar ao comando do Paço.
Apesar de ter o nome nas urnas, o unionista está com o registro da candidatura indeferido, mas dentro do prazo recursal. Atila foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa por ter as contas dos quatro anos à frente da Prefeitura (2017 a 2020) reprovadas pela Câmara. Os vereadores seguiram pareceres do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo) que apontaram irregularidades nas contabilidades apresentadas.
À tarde, em coletiva ao lado de Lourencini, Marcelo Oliveira lembrou que o PSDB integra a base governista em Mauá. “Desde que iniciamos nosso governo, quase todos partidos fizeram parte. O PSDB, enquanto representação de dois vereadores na Câmara, fez parte do nosso governo”, declarou. O prefeito ainda lembrou que os tucanos têm ajudado a “governar e aprovar projetos importantes para a cidade”.
O prefeiturável diz que há um histórico de relação propositiva entre as duas siglas. “Fui presidente do Consórcio (Intermunicipal do Grande ABC) com apoio do PSDB”, frisou. Marcelo Oliveira esteve à frente do colegiado em 2023. Com a ascensão do petista, São Bernardo e São Caetano – cidades comandadas por tucanos – deixaram a entidade.
Lourencini, no entanto, surpreendeu a todos ao afirmar que deixou o partido horas antes do anúncio. “Não conversei com o PSDB, sai por minha conta. Poderiam até me expulsar do partido ao qual estou filiado há 32 anos. Não falei com o prefeito de Santo André (Paulo Serra), deve estar sabendo agora.”
Em nota, o diretório estadual do PSDB afirma ter adotado a neutralidade e liberado os filiados para escolha de um candidato, em Mauá. O vereador reeleito Leonardo Alves, que assumiu a presidência municipal no lugar de Lourencini, não respondeu aos questionamentos da reportagem.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.