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Exposição de fotos lembra desaparecidos na ditadura

Diadema recebe mostra com 24 imagens que ilustram encontros de famílias e amigos antes e depois da Operação Condor

Beatriz Mirelle
07/10/2024 | 09:23
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FOTO: Divulgação/Gustavo Germano
FOTO: Divulgação/Gustavo Germano Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A exposição fotográfica Ausências Brasil, do argentino Gustavo Germano, está em cartaz no Museu de Arte Popular, de Diadema, até 3 de novembro. O material organizado pelo Núcleo de Preservação da Memória Política apresenta 24 fotos, sendo metade extraída de álbuns de famílias brasileiras e outra parte composta por recriações dessas imagens antigas compostas pelas pessoas nos mesmos lugares e posições, mas com espaços vazios que representam os indivíduos assassinados e desaparecidos durante a ditadura militar (1964-1985). 

O projeto começou na Argentina, em 2007. Depois, Germano produziu no Uruguai e Colômbia. A iniciativa chegou ao Brasil em 2012. As fotos apresentam reuniões de parentes, amigos e casais. O objetivo é fazer referência às vítimas da Operação Condor, aliança entre as ditaduras militares da América do Sul, na década de 1970. A campanha de repressão envolveu Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai. 

“São 12 dípticos (duas placas ligadas entre si), que têm que ser apresentadas lado a lado. O vazio é para mostrar justamente a ausência da pessoa no presente. O fotógrafo Gustavo tem um irmão que desapareceu na ditadura da Argentina. Então, é uma exposição muito impactante, com uma sensibilidade para denunciar o que aconteceu”, releva a curadora, Katia Felipini, diretora técnica do Núcleo de Preservação da Memória Política, que, desde 2019, possui os direitos das imagens para fazer essas exposições. 

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Além das fotografias, ela afirma que haverá rodas de conversa e exibição de filmes ao longo do mês. 

“Todas as mostras são acompanhadas de ações educativas e culturais que debatem sobre o passado e presente, sempre pensando que assim podemos colaborar na construção de um país mais justo e digno. A exposição em Diadema é composta apenas pelas famílias brasileiras.” 

De acordo com ela, os arquivos ganham ainda mais significado neste ano, que marca os 60 anos do golpe militar no Brasil, que ocorreu em 31 de março de 1964 – e também por ser um ano eleitoral. 

“Queremos sensibilizar o maior número de pessoas possível para que pensem sobre a importância da democracia e do respeito aos direitos humanos. Em governos autoritários, esse zelo não existe. O sistema democrático sempre estará atrelado com as escolhas de cada um para eleger os nossos representantes”, detalha Kátia. 

A exposição fica na Rua Graciosa, 300, no Centro de Diadema, até novembro. Depois, vai para a Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), entre os dias 6 e 20 de dezembro, na Avenida Pedro Álvares Cabral, 201. 

No ano que vem, a mostra estreia no CEU (Centro Educacional Unificado) Vila Rubi (Rua Domingos Tarroso, 101), nos dias 14 de fevereiro a 26 de março, e no Centro Cultural MariAntonia (Rua Maria Antônia, 294), de 31 de março ao dia 16 de maio. 

O calendário previsto se encerra no CEU Rosa da China (Rua Clara Petrela, 113), em cartaz de 20 de maio a 4 de julho de 2025.




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