Proteção Em quase quatro meses, campanha está longe de alcançar a meta de 90% de adesão; mortes pela doença já chegam a 60 em 2024
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC

No Grande ABC, apenas 11,7% do público-alvo recebeu a vacina contra a dengue – e somente 0,5% retornou completar o esquema vacinal. A meta é imunizar 90% do grupo, que é composto por crianças e adolescentes com idades entre 10 e 14 anos. A baixa adesão ocorre em meio a uma alta de casos e de óbitos pela doença em 2024. Até ontem, 60 pessoas morreram em decorrência da dengue e 53.053 ocorrências foram registradas nas sete cidades desde o início do ano.
Em todo o ano de 2023, foram contabilizados 859 casos de dengue e nenhum ocorreu óbito na região, de acordo com informação do Ministério da Saúde.
Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, em quase quatro meses de vacinação, 19.836 doses, entre primeira e segunda, foram aplicadas nos moradores do Grande ABC. A cobertura vacinal na região está abaixo dos 19,5% alcançados no Estado. Desde o início da imunização contra a dengue, em 12 de junho, os municípios de São Paulo aplicaram 616.463 doses, entre primeira e segunda.
De acordo com a Pasta de saúde, a vacinação contra a dengue segue em curso em 391 municípios. No Grande ABC, o imunizante está disponível para o público-alvo em todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde). Para aumentar a cobertura vacinal, as prefeituras informaram que realizam ações de conscientização em escolas e divulgam materiais sobre o tema nas redes sociais.
O Brasil foi o primeiro país do mundo a disponibilizar vacinas contra a dengue no sistema público de saúde. Atualmente, o imunizante disponível é o Qdenga, produzido a partir do vírus vivo atenuado, ou seja, do micro-organismo infectado, mas enfraquecido. O esquema vacinal é composto por duas doses, com intervalo de 90 dias entre cada uma, e protege contra os quatro tipos de vírus: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.
Inicialmente, a vacinação contra a dengue contempla apenas crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária, segundo o Ministério da Saúde, que apresenta maior risco de agravamento – após pessoas idosas. Porém a vacina não foi liberada para esse grupo pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Devido à baixa adesão à vacinação no País, o Ministério da Saúde adotou uma estratégia temporária para aplicação das vacinas da dengue que estão próximas ao vencimento. A Pasta recomendou que os municípios que tiveram alto número de doses próximas ao vencimento poderão ampliar a imunização para a faixa etária de 6 a 16 anos.
Na região, o público-alvo continua sendo de 10 a 14 anos e não há previsão para ampliação.
CASOS E ÓBITOS
Desde o último levantamento do Diário, em 11 de setembro, o número de ocorrências no ano passou de 51.497 para 53.053. Os óbitos em decorrência da doença cresceram 17% e saltaram de 51 para 60. Outras nove mortes e 230 casos estão em investigação. Os dados são do Painel de monitoramento Divisão de Dengue, Chikungunya e Zika Estado de São Paulo.
Santo André (14.204), Mauá (11.475) e Diadema (9.443) são os municípios com o maior número de notificações. No Estado são 2 milhões de casos confirmados e 1.761 mortes por dengue, enquanto no Brasil, até a última terça-feira (1°), foram contabilizados 6 milhões de registros e 5.486 óbitos.
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