Suplente de vereadora em Santo André volta às urnas tendo a moradia com principal bandeira
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Uma viagem de Ricardo Alvarez (Psol) ao Pará, em março de 2022, deu a Andreia Barbosa da Silva a oportunidade de ocupar uma cadeira na Câmara de Santo André por nove dias. Andreia do MTST (Psol), como é conhecida, tornou-se a 1ª suplente psolista após ter recebido 2.541 votos na eleição de 2020. Sua votação foi maior que a de cinco vereadores eleitos naquela oportunidade, mas o quociente eleitoral a impediu de assumir uma vaga efetiva no Legislativo andreense. De voltas às urnas neste ano, Andreia está otimista.
“Tenho esperança de que vamos conseguir essa cadeira para levar o povo da periferia à Câmara e mostrar que lugar de mulher também é na política. Vamos fazer a luta institucional, mas o movimento vai continuar nas ruas, porque só assim conseguimos ser vistos”, disse Andreia, 41 anos, que se diz candidata de Guilherme Boulos (Psol), postulante à Prefeitura da Capital, em Santo André.
“São anos de amizade e companheirismo. Tenho orgulho de compartilhar os mesmo ideais e as mesmas lutas com o futuro prefeito de São Paulo”, disse a candidata, que tem na luta pela moradia a principal bandeira de sua trajetória política. Nascida na zona Leste da Capital, Andreia ingressou em 2014 no MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto), como integrante da ocupação Copa do Povo, em Itaquera.
Desde então, Andreia tem desempenhado papeis cruciais em várias ocupações. Em 2017, por exemplo, participou da ocupação Povo Sem Medo, em São Bernardo, e foi uma das lideranças da histórica marcha de sem-teto rumo ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, a qual reuniu cerca de 10 mil pessoas. “Foi uma marcha pacífica e ordeira”, recorda-se com orgulho.
Andreia chegou em Santo André em 2016, como integrante do Núcleo Rosa Luxemburgo. Morou no local até março de 2019, quando 410 famílias da ocupação, entre as quais a dela, foram beneficiadas por imóveis do Residencial Novo Pinheirinho. Ela, porém, não se afastou do movimento. Em 2021, em um cenário de crise social decorrente da pandemia de Covid-19, inaugurou na casa em que morou o projeto Cozinha Solidária, voltado ao combate à fome e ao suporte à população em situação de vulnerabilidade.
O projeto fornece almoços grátis a moradores da periferia. Desde a inauguração, foram distribuídas mais de 200 mil marmitas. A cozinha sobrevive por meio de doações. “Além da entrega de alimentos, oferecemos atividades para mulheres, leitura para idosos, reforço escolar para crianças e cursos de tecnologia”, revelou.
VIOLÊNCIA
Mãe de cinco filhos e avó, Andreia do MTST tem no combate à violência contra a mulher outra de suas bandeiras políticas. Ela conheceu o problema - que explodiu durante a pandemia - no contato com outras mulheres na Cozinha Solidária. “No meu convívio há mulheres com filhos que são frutos de violência. Por isso, luto para que essas mulheres tenham independência financeira e moradia, que são fundamentais para que ganhem maior autonomia para tomar decisões sobre suas vidas.”
O período na Câmara foi curto, mas proveitoso para Andreia. “A experiência foi diferente, mas o mais importante foi retornar às comunidades nas quais trabalho e ouvir de outras mulheres: ‘Se você conseguiu, eu também consigo’, porque, até hoje, o Legislativo é, predominantemente, um espaço ocupado por homens brancos”, afirmou.
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