Dia Nacional do Doador de Órgãos No Dia Nacional do Doador de Órgãos, moradora ressalta que cirurgia no rim, realizada em 2020, foi a oportunidade para recomeçar a vida
FOTO: Celso Luiz/DGABC

“Fiz hemodiálise por quase três anos. Em algumas situações de perda renal, a pessoa consegue recuperar. Esse não era o meu caso. Cheguei a 7% da função dos meus rins. Mesmo assim, eu esperava um milagre. O milagre que existe é o transplante.” O relato é da empreendedora Sandra Regina Jaskonis, 50 anos, moradora do Parque das Nações, em Santo André.
No Dia Nacional do Doador de Órgãos, celebrado hoje, ela relembra como recebeu a notícia de que passaria pela cirurgia de transplante necessária por causa de nefrite crônica, inflamação assintomática nos tecidos dos rins.
“Assim que acordei da cirurgia, já agradeci muito a Deus e à família que concordou com a doação. Não sei quem são eles, mas é uma atitude muito grandiosa. Com certeza essa pessoa deve ter ajudado muitas outras. Eu poderia estar na hemodiálise até hoje, poderia ter morrido, mas, graças ao transplante, estou aqui, trabalhando com o que eu gosto, agradecendo diariamente por essa oportunidade”, relata a empresária, dona de uma cafeteria.
Sandra realizou o procedimento em janeiro de 2020 e, até hoje, segue protocolos rigorosos de saúde, com uso diário de antibiótico, corticoide e imunossupressores.
“O tempo de espera para o transplante varia. Tem gente que faz hemodiálise, mas não tem condição de realizar a cirurgia. Quando você aguarda o transplante, seu telefone pode tocar a qualquer dia, a qualquer hora. Tive essa bênção. Foi um presente para festejar o ano que estava chegando”, comenta ela. “Agora, além dos remédios, o cuidado com sono, alimentação e consumo de água é prioridade para que o meu sistema imunológico não rejeite o órgão.”
Em São Paulo, a espera para transplante de rim é a maior no Estado, com 20.114 das 21.531 solicitações. A demanda no território paulista é a mais expressiva no Brasil, afirma o SNT (Sistema Nacional de Transplantes), plataforma do Ministério da Saúde.
Gustavo Peixoto, médico cirurgião do aparelho digestivo na rede de hospitais Kora Saúde, explica que qualquer pessoa pode se declarar doadora de órgãos e que as doações variam de acordo com as características e a causa da morte.
“A condição ideal para a doação ocorre em casos raros, como em indivíduos jovens que sofrem traumatismo cranioencefálico. Mesmo assim, todos podem manifestar a vontade de doar, e a equipe médica é quem avalia a viabilidade de cada órgão, de acordo com as circunstâncias técnicas.”
Entre os principais órgãos doados estão fígado, coração, rins, pâncreas e pulmões. O intestino é menos frequente, pontua o cirurgião. “Além dos órgãos, há a doação de tecidos, como a córnea, que é crucial para devolver a visão a muitas pessoas. Outros tecidos que podem ser doados incluem ossos, pele e veias — o Brasil, por exemplo, possui bancos de veias. Isso mostra a ampla gama de possibilidades para o aproveitamento dos doadores”, diz.
No Grande ABC, a fila de espera para doação de órgãos sólidos e de medula óssea é de 3.770 pacientes, estima o Ipes (Instituto Paulista de Educação em Saúde). Neste ano, o Brasil realizou 14.352 transplantes de órgãos entre janeiro e junho, sendo 1.300 em São Paulo.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.