Aumento não acontecia desde 2022 Elevação de 0,25 ponto percentual irritou ministro do Trabalho e também central sindical
FOTO: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O aumento de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros (Selic), anunciado ontem pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central), foi contestado pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e pelas centrais sindicais. A primeira alta no terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva levou a taxa a 10,75% ao ano. O último aumento havia sido em 3 de agosto de 2022.
A possibilidade de uma alta gradual, neste que parece ser o início de um ciclo de aperto monetário, havia sido cogitada pelo presidente da instituição, Roberto Campos Neto e era aposta majoritária do mercado.
“É inacreditável e inaceitável a irresponsabilidade do Banco Central. Esse era o momento de baixar os juros, para gerar mais empregos e crescimento econômico, e não de elevar ainda mais essa que já é uma das mais altas taxas de juros do mundo. A impressão é que o Banco Central trabalha contra o País”, afirmou Marinho.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi mais comedido. “Eu não me surpreendi, mas eu só vou comentar a decisão depois da leitura da ata, semana que vem, como de hábito. Vou dar uma olhada, vou conversar internamente, vou verificar o que esperar para o futuro próximo, daí eu comento”, afirmou.
A elevação ocorre após duas reuniões em que o colegiado optou pela manutenção da taxa. A estagnação da Selic, por sua vez, se seguiu após um ciclo de sete baixas que se estendeu até maio.
Com a decisão de alta de 0,25 ponto de ontem, o juro real – descontada a inflação prevista para os próximos 12 meses – do Brasil está em 7,33%, segundo levantamento do site MoneyYou. O País está atrás apenas da Rússia (9,05%).
A média das 40 economias pesquisadas é de 0,63%. Segundo o BC, o juro neutro brasileiro, que não acelera nem alivia a inflação, é de 4,75%.
A Força Sindical classificou a alta como “um verdadeiro prêmio aos especuladores”. Em nota assinada pelo presidente Miguel Torres, a entidade diz que “penaliza de forma nefasta, principalmente, os menos favorecidos economicamente e irá atrapalhar as campanhas salariais deste semestre bem como a produção e o consumo das famílias”.
A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) se manifestou sobre a alta dizendo que “enxerga essa elevação com preocupação, embora compreenda que o Banco Central esteja atuando de maneira responsável diante do quadro fiscal e das pressões inflacionárias. No entanto, o aumento dos juros eleva o custo de capital para as empresas, dificulta o acesso a financiamentos e encarece o crédito ao consumidor”.
No comunicado divulgado após a reunião, o Copom disse que a alta da Selic é resultado de um cenário marcado por resiliência na atividade econômica doméstica, por pressões no mercado de trabalho e expectativas “desancoradas” para a inflação – isto é, distantes da meta oficial, de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto.
O colegiado disse ainda “que há uma assimetria altista em seu balanço de riscos para os cenários prospectivos para a inflação” (avaliação que não apareceu, claramente, em comunicados anteriores), e que o resultado das próximas reuniões até o fim do ano (em novembro e dezembro) “dependerão da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos”. (com Estadão Conteúdo)
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