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Grupo de dança 50+ de Ribeirão faz vaquinha para competir na Argentina

Equipe formada por dez artistas precisa arrecadar pelo menos R$ 23 mil para realizar o sonho de embarcar na primeira viagem internacional

15/09/2024 | 14:19
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


No rádio, a música "I Will Survive", da cantora norte-americana Gloria Gaynor, é tocada por diversas vezes enquanto pés e mãos agitados ensaiam incansavelmente a coreografia. Mesmo com a exaustiva repetição, o sorriso no rosto de cada dançarina não desaparece. No corpo, o figurino com muito brilho, plumas e cores destaca a energia imprimida na sequência de passos por mulheres a partir de 50 anos.

A rotina de ensaio acontece há quase cinco meses, três vezes por semana, no clube Ribeirão Pires Futebol, do qual o Grupo de Dança Master faz parte. Ao todo são dez dançarinas em busca de um sonho: participar de uma competição em Buenos Aires, na Argentina, no próximo mês. Para alcançar esse objetivo, elas criaram uma vaquinha para ajudar a custear as despesas de todas as participantes, mais a coreógrafa, Tânia Mary Del Santo, 49 anos.

A expectativa é arrecadar R$ 23 mil até o próximo mês – o valor será destinado para hospedagem, alimentação e transporte interno na capital argentina. As passagens aéreas já foram compradas e divididas entre as participantes, que vão pagar cerca de R$ 240 por dez meses. Além da vaquinha, o grupo também participa de eventos na cidade e vende lanches e outros alimentos para arrecadar fundos.

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Caso consigam a verba necessária, essa será a primeira viagem internacional das dançarinas, que vivem sob o lema “Porque sonhar não tem idade”. 

A oportunidade surgiu após o grupo se destacar neste ano em dois festivais de dança, em Mauá e na Capital, e receber o convite para participar do Plié Festival Dance, que acontecerá nos dias 25 e 26 de outubro, no Teatro Paseo La Plaza, em Buenos Aires.

O grupo de Ribeirão Pires, que está junto há cinco anos, compete no estilo livre, na categoria Master. A música escolhida para a competição reflete o espírito alegre e divertido da equipe, conforme define a coreógrafa. “A principal característica delas é a animação. O mais legal é que são pessoas que nunca tiveram contato com a dança. Muitas estão aposentadas, são donas de casa ou trabalham fora. Elas gostaram de dançar e aos poucos começamos a participar de alguns festivais e em festas do município. Aí começou a surgir a confiança no palco. Elas estão preparadas e felizes para essa viagem”, diz Tânia.

A participante mais velha do grupo, Eliete de Jesus Silva, 83, mais conhecida como Tieta – por conta da semelhança com a personagem da novela de mesmo nome, de 1989 –, não economizou na extravagância do seu figurino. Os cílios extensos com as cores da bandeira LGBTQIA+, a peruca loira e a tiara vermelha de laço na cabeça revelam a influência do figurino no movimento drag.

“Nós somos como uma família, uma sempre ajuda a outra, em tudo. Elas cuidam de mim, se preocupam comigo, é muito bonita a nossa amizade. Nossa professora é muito cuidadosa com a gente, prepara lindas coreografias com músicas alegres e divertidas, que refletem o nosso humor”, conta Tieta, que ainda faz questão de dizer que sua família, principalmente seu neto, que é professor de balé, costuma assistir às suas apresentações.

Elci Cristina Borini e Rosely Tamashiro são as únicas participantes do grupo com menos de 60 anos – ambas têm 50. Elas contam que antes da dança, a turma participava de outras atividades no clube, como ginástica, por exemplo.

“A dança é um sonho. Tudo o que não fizemos quando crianças, por conta da falta de possibilidades, estamos realizando agora. Trabalhamos o corpo, mas faz muito bem para nossa alma”, afirma Rosely.

Além do impacto na saúde física e mental, Elci explica que as aulas de dança fazem muita diferença na autoconfiança das dançarinas. “Quando você passa a vida inteira fazendo as coisas para os outros, você se deixa um pouco de lado. De repente você descobre algo que você faz para você, é um mundo que se abre. Além da amizade interna, conhecemos gente nova nas apresentações. As pessoas, principalmente idosos e crianças, pedem para tirar foto com a gente. Nos divertimos muito”, finaliza Elci.




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