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Cérebro, visão e os telefones celulares!

Antonio Carlos do Nascimento
09/09/2024 | 07:45
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Gilmar Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Foi na década de 1990 que os telefones celulares, ou móveis, passaram a dominar a telefonia em todo o mundo, revolução que faria com que as versões originais destes aparelhos e seus ‘modi operandi’ restassem como exceções.

O desejo por estes dispositivos pairava no imaginário popular no mesmo degrau da ambição pelo carro novo e favorecidos por seus modelos produtivos acelerados e progressivamente mais baratos, não demoraria para que multidões caminhassem com este equipamento, especialmente junto a seus ouvidos. 

O fato de alguns estudos demonstrarem que o sinal de ondas de radiofrequência emitido por estes instrumentos aumenta a temperatura do tecido cerebral e dada a avalanche da utilização desta alternativa de comunicação em extenso período do dia, suscitou a interrogação de que este hábito pudesse se relacionar com maior incidência de câncer no cérebro.

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Um estudo encomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e liderado pela Agência Australiana de Proteção contra Radiação e Segurança Nuclear, revisou os dados de 63 estudos sobre esta perspectiva, publicados entre 1994 e 2022, e concluiu que não houve aumento proporcional da incidência de câncer no cérebro na relação com exposição aos celulares.

Também é verdade que a evolução tecnológica ofertou opções que nos permitem escutar e falar com o interlocutor a boa distância, assim como, mensagens escritas ou faladas têm se tornado a forma mais frequente de diálogo. 

Mas, se nos livramos dos riscos carcinogênicos potenciais destes objetos, não nos afastamos de outros bem mais óbvios, como aqueles relacionados à visão, que transitam desde a fadiga ocular até a ameaça da degeneração macular e cegueira.

Entretanto, longe de sua função original, o maior perigo que deriva destas pequenas peças envolve nosso comportamento e raciocínio, de um lado a transferência imperceptível de nossa memória para o smart phone, quando já não buscamos em nós mesmos determinado conhecimento, para simplesmente procurarmos a resposta em alguns toques na tela; e de outro, o componente emotivo, relativo ao viés generoso do entretenimento.

Já relatei neste espaço um estudo, realizado com estudantes universitários, demonstrando que a simples presença destes eletrônicos, ainda que desligados, afetou negativamente a atenção e o desempenho em testes de cognição, enquanto muitas escolas pelo mundo passaram a proibir que seus alunos os portem em sala de aula, ação que claramente promoveu melhor nível de aprendizado.

Aparentemente podemos encarnar a esperteza destas sagazes invenções, mas sua inteligência algorítmica podemos apenas emprestar e todo bom empréstimo cobra ativos adicionais, dito isso, cabe-nos, com boa frequência, raciocinar sem auxílio tecnológico e preservar os olhos!




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