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Barbárie na política
Da Redação
07/09/2024 | 07:00
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O episódio lamentável envolvendo o candidato de oposição à Prefeitura de Diadema, Taka Yamauchi (MDB), atingido no braço por um disparo de airsoft durante carreata em que pedia votos aos eleitores do Parque Real, nesta sexta, é um alerta preocupante para a escalada de violência nas campanhas eleitorais no Grande ABC. Embora a arma utilizada contra o emedebista não seja letal, seus disparos podem causar ferimentos graves e até provocar cegueira. A ocorrência expõe cenário em que atitudes intimidatórias, que flertam com a agressão física, tentam se infiltrar no debate político, desrespeitando os princípios democráticos e o respeito ao contraditório. O momento é de convencimento. não de faroeste.

Nenhuma forma de violência, seja simbólica ou física, pode fazer parte do processo eleitoral. A utilização de armas, ainda que de menor poder letal, é um sinal de que o debate político está sendo distorcido, levando ao confronto em vez da troca de ideias. A política precisa de diálogo e respeito, não de intimidação e ameaças. Tal ação contra Taka Yamauchi, além de perigosa, alimenta a cultura do medo, um fenômeno que só serve para afastar eleitores do processo democrático, prejudicando a saúde do sistema eleitoral. O caso de Diadema não é isolado. Santo André e São Bernardo também registraram eventos de violência – um deles também teve arma de fogo envolvida, o que é atroz.

Por essa razão, é essencial que as autoridades investiguem a fundo o ocorrido no Parque Real, em Diadema, de modo a esclarecer se houve motivação política por trás do ataque ao principal oponente do prefeito José de Filippi Júnior (PT), que disputa a reeleição. Caso se confirme que o disparo teve como objetivo intimidar ou silenciar um candidato, estar-se-á então diante de grave afronta à democracia. Atos desse tipo ferem a essência do processo eleitoral, que deve ser pautado pelo livre debate de ideias e pelo respeito às diferenças. Violência não pode ser normalizada na busca pelo voto. O convencimento do eleitor precisa ser feito de acordo com as regras civilizatórias. O tempo da barbárie já ficou para trás.




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