Arquivos recentemente liberados pela FAB mostram casos ocorridos no ano passado; desde 1952, a região é citada em dois casos documentados pela Aeronáutica
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“Deve ser algum planeta enviando um espião aqui para a Terra”, disse Marcos Antonio da Silva, morador de Ribeirão Pires, em junho de 1986, ainda sob efeito de um grande evento ufológico registrado no mês anterior à declaração. Décadas depois, os óvnis (objetos voadores não identificados) ainda são fruto de curiosidade e estão em alta. O País registrou aproximadamente 80 avistamentos de óvnis descritos à Aeronáutica em 2023, documentados em 30 relatos que foram liberados em agosto pela FAB (Força Aérea Brasileira). Embora o número de relatos seja menor que os 44 registrados no ano de 2022, ele é significativamente maior que os nove casos descritos em 2021 (cada relato costuma ter mais de um avistamento).
Os registros são feitos em formulários preenchidos por pilotos de avião envolvidos em avistamentos, em comunicados ao Cindacta (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo). Toda a documentação está disponível digitalmente no Arquivo Nacional e contém dados desde 1952. Para efeito de comparação, nos 15 primeiros anos de arquivos, de 1952 até 1967, apenas oito casos foram registrados. Apesar de haver relatos todos os anos sobre avistamentos do tipo, o Grande ABC é citado apenas duas vezes no conjunto de registros, sendo a primeira em estudo sobre uma das datas mais emblemáticas para a ufologia brasileira.
Em 19 de maio de 1986, o Brasil viveu a “Noite Oficial dos Óvnis”. Cerca de 21 objetos voadores não identificados foram detectados por radares e avistados por pilotos de aviões civis e militares em várias partes do País, especialmente na região Sudeste. A repercussão do caso foi imediata, ganhando destaque na imprensa nacional e internacional – e alimentando teorias sobre a existência de vida extraterrestre. A FAB mobilizou na ocasião cinco caças para interceptar as misteriosas luzes, que realizaram manobras evasivas em alta velocidade, desafiando as leis da física, segundo as descrições da época.
O documento listado no Arquivo Nacional é um dossiê, produzido pela Sociedade Brasileira de Estudos sobre Discos Voadores, citando diversos episódios sobre óvnis entre maio e junho de 1986. O registro cita reportagem do Diário sobre avistamento de óvnis na região, em 6 de junho daquele ano, para embasar o laudo. Naquela semana, moradores de Santo André e Ribeirão Pires contavam entusiasmados sobre objetos estranhos vistos no céu. Na cidade andreense, a moradora Maria Lúcia Nepal, do bairro Capuava, contou que estava na cozinha quando avistou pela janela uma estrela que chamou sua atenção e a do marido. “Era grande e piscava e girava, sem sair do lugar, primeiro ficava verde e depois se tornava amarela.”
Em Ribeirão Pires, no bairro Santa Luzia, outra estrela piscava e mudava rapidamente, contou Marcos Antonio da Silva. “Por volta das 20h eu e meu tio vimos no quintal de casa uma grande bola colorida no céu. Ela mudava do vermelho para amarelo e se movimentava para os lados”, disse Marcos na época.
Outra moradora citada, Mércia Trindade Lima afirmou que estava junto com as duas filhas quando viu o objeto, maior do que as outras estrelas, com um colorido diferente, que mudava entre vermelho, branco e amarelo.
SÃO CAETANO
A segunda vez em que a região foi citada em arquivos da FAB não foi em uma ocorrência nas sete cidades, mas sim com um morador. Em relatório divulgado em setembro de 2010, o piloto sul-caetanense Marino Scarin Filho, em rota de Belém para Fortaleza, reportou avistamento de um óvni. Conforme o relato de Scarin Filho, havia apenas um item, maior que o tamanho aparente do planeta Vênus, com forte iluminação e velocidade próxima à de um jato, se deslocando em altitude estimada de 10.000 pés acima da aeronave.
O pesquisador de ufologia Jamil Vila Nova, 59 anos, vê nas construções antigas, como pirâmides, uma possível evidência para a existência destes seres, já que, para ele, obras deste tipo e grandeza jamais poderiam ser feitas por seres humanos. Ele cita ainda que vê dificuldade para as pessoas – com exceção de pilotos – avistarem óvnis atualmente, e isto, para ele, também poderia indicar a presença dos seres de outro planeta entre nós. “O fenômeno é guiado por seres inteligentes. Então, como hoje nós podemos fotografar, eles querem manter ainda um certo segredo, não querem se revelar e evitam (aparecer). Nas décadas passadas, as pessoas tinham menos possibilidade de fotografar. Hoje, qualquer um pode”, avalia Jamil. “Acredito que o universo esteja cheio de planetas com civilizações avançadas, atrasadas e embrionárias. É uma quantidade infinita de possibilidades.”
Especialistas dizem que fenômeno é causado por difração da luz
Na reportagem do Diário, de 1986, estudada pela Sociedade Brasileira de Estudos sobre Discos Voadores, além dos moradores, o astrônomo Gonzalo Labra afirmava que os episódios na região não passavam de estrelas que sofrem difração da luz, provocadas pela interferência de grandes massas de ar. Para o professor Roberto Dias da Costa, do departamento de astronomia, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (Universidade de São Paulo), a possibilidade é cientificamente “bem concreta”.
Ele explica que objetos celestes muito brilhantes como os planetas Vênus e Júpiter, ou algumas das estrelas, como Sírius e Canopus, podem produzir ilusões de óptica curiosas quando estão muito baixos no céu, próximos do horizonte. A difração e a refração da luz produzem distorções na imagem, principalmente se observadas de uma fonte celeste próxima ao horizonte.
“Isso ocorre principalmente se houver muita poluição do ar e muito vento, que reforçam ainda mais esses efeitos. Nesses casos o objeto parece ‘tremer’ ou ‘piscar’, ou ainda mudar de cor. Tudo isso é efeito da turbulência do ar combinada com a presença de gases ou fumaça. Não é incomum que esse tipo de efeito faça com que um objeto celeste estático seja confundido com algum tipo de aeronave”, explica o especialista.
O professor cita como exemplo o planeta Vênus. Atualmente ele está visível na direção oeste, a mesma em que o Sol se põe, no início da noite. Segundo o docente, como o ar tem estado com qualidade ruim, se Vênus for observado por alguns minutos será visto que o mesmo oscila em posição, brilho e cor. “Tudo isso obviamente não é real, é apenas efeito da atmosfera”.
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