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2044: uma tragédia anunciada!

Antonio Carlos do Nascimento
26/08/2024 | 09:37
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Seri Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


No prestigiado Congresso Internacional sobre Obesidade, organizado pela World Obesity Federation (Federação Mundial de Obesidade) e realizado em junho deste ano em São Paulo, foram apresentados inúmeros painéis interessantes, os quais, porém, em sua maioria reafirmavam pesquisas já conhecidas, executadas ou em execução.

Mas, alinhado com perspectivas, um estudo brasileiro chamou bastante a atenção, pois, projeta que no ano de 2044 metade dos adultos em nosso País serão obesos, em abordagem matemática obediente às contingências que se apresentam.

Tenho reportado reiteradamente, em artigos, entrevistas e palestras, que em 2006 possuíamos 11,8% de prevalência da obesidade em nossa população adulta, enquanto em 2021 este percentual alcançaria 22,4%, o que torna absolutamente realista a projeção do estudo supracitado.

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Enquanto dobrávamos nosso percentual de adultos obesos, nossas políticas públicas nacionais direcionavam, e direcionam, ações educativas para abrandar as causas deste processo, contudo, ferindo-as com pouco vigor e sem dedicar qualquer movimento real e robusto versando o tratamento desta moléstia. 

A lamentável inoperância se perpetua e nem mesmo sobretaxação para produtos ultraprocessados está na pauta da reforma tributária em curso, tampouco ofertamos espaços públicos condizentes para a prática de exercícios nas grandes cidades. Em verdade, ao menos em São Paulo, o que se faz é permitir e estimular a verticalização habitacional, no que se contribui apenas para o insalubre comprometimento da ventilação e exposição solar.

Embora enfadonho é necessário redizer, que qualquer política pública de saúde que não priorize o enfrentamento do excesso peso em suas causas e tratamentos, será inoperante e suicidária, pois irá permitir e promover o aumento vertiginoso dessa doença, encaminhando os sistemas de saúde pública ou privada para total insolvência.

Um número extraordinário de obesos destinados ao diabetes, doença coronariana, arteriopatia cerebral, insuficiência renal, cegueira, artropatias e imobilidade, custará recursos que certamente não teremos, em cenário de brutal incapacidade laborativa na faixa etária responsável pela produtividade nacional, aquela entre os 18 e 64 anos.

Confesso compreender pouco sobre os debates econômicos atuais e então desoneração da folha, tributação sobre herança, taxação de dividendos e tantos outros itens me soam estranhos, porém, daquilo que vemos, parece óbvio que estas discussões terão bem pouco impacto em 2044.

Antonio Carlos do Nascimento é doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP e membro da Sociedade de Endocrinologia e Metabologia.




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