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Sindicância confirma erros médicos no Hospital da Mulher de São Bernardo

Após denúncias, comitê técnico identificou fragilidades nos protocolos assistenciais e falhas profissionais; diretor técnico pediu desligamento

Thainá Lana
22/08/2024 | 20:59
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FOTO: André Henriques/DGABC

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O comitê técnico instaurado para apurar denúncias no Hospital da Mulher de São Bernardo confirmou que foram identificados erros médicos na unidade. A sindicância foi instaurada em abril pelo secretário de Saúde do município, Geraldo Reple Sobrinho, depois que três casos de negligência foram revelados pelo Diário – no total, nove casos de acusação de erros médicos vieram à tona, com seis mortes envolvidas, sendo quatro bebês e duas gestantes. 

De acordo com os esclarecimentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, após um mês de apuração, de 19 de abril até 20 de maio, o comitê concluiu os trabalhos e “foram identificadas falhas relacionadas ao exercício profissional”. Os agentes responsáveis pelos erros foram desligados, de acordo com a Prefeitura, que não foi revelou o número de demitidos.

A resposta da Secretaria de Saúde do município também afirma que “foram identificadas fragilidades em alguns protocolos assistenciais na unidade” e que “foram feitas propostas de melhoria para fortalecimento das barreiras de segurança já existentes e sugerida a adoção de outras”.

Ainda de acordo com o documento obtido, o diretor técnico do Hospital da Mulher, Rodolfo Strufaldi, que foi afastado das funções durante os trabalhos do comitê, optou por se desligar da instituição, “apesar de não ter responsabilidade direta sobre os eventos ocorridos”.

O ex-diretor técnico do Hospital da Mulher já havia sido demitido, em 2019, do cargo de coordenador de atenção básica de São Bernardo, após reportagem da TV Globo sobre longa fila de espera para atendimento na UBS (Unidade Básica de Saúde) Jardim Ipê. 

No dia 19 de abril, uma equipe do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) realizou uma visita técnica à unidade hospitalar, e a comissão entregou prontuários dos pacientes solicitados. Também foram encaminhados ao conselho, assim como à Comissão de Ética Médica, as falhas que foram identificadas nas atividades dos dos profissionais envolvidos nos casos, para investigação. 

Das seis mortes ocorridas, a Polícia Civil de São Bernardo investiga cinco, já que uma das pacientes, Stephany dos Santos, 26 anos, não notificou as forças de segurança sobre o falecimento de seu filho.

OUTRAS PROVIDÊNCIAS

A Secretaria de Saúde informou também que o comitê técnico acompanhou todas as etapas dos processos de investigação interna que haviam sido instaurados para dois pacientes, Raissa Falosi Santos, 20, e Deyse Coimbra, 29, nos quais ouviu os profissionais envolvidos na assistência, a paciente e os familiares – e emitiu relatórios individualizados.

A jovem Raissa ficou 19 dias com uma compressa esquecida em seu corpo após realizar parto normal na unidade – esse foi o primeiro caso denunciado. Deyse morreu na unidade hospitalar após receber duas doses de anestesia, conforme denunciou seu marido, Arthur Henry Coimbra.

Em outros quatro casos divulgados, a sindicância realizou a avaliação dos prontuários e emitiu relatórios. Três pessoas, uma paciente e dois familiares, relataram ao Diário que participaram de reuniões com membros do comitê e do hospital e afirmaram que a equipe confirmou os erros médicos em seus casos e informou que os profissionais envolvidos haviam sido desligados.

Um dos encontros ocorreu no último dia 7, com Marília Beatriz Alves, 44, mãe de Stella Luisa Alves, 20, que teria passado mal ao receber insulina, mesmo sem ser diabética, durante a preparação para o parto – o bebê morreu de trombose placentária, segundo laudo do IML (Instituto Médico Legal). A avó da criança, Marília, afirma que a carteirinha de gestante da sua filha foi trocada com a de outra paciente, chamada Carla Cavalcante Fernandes, que seria diabética e estava com nível alto de glicemia.

“Eles confirmaram que a minha filha não era diabética, e sim a outra paciente. O doutor Geraldo (Reple, secretário de saúde) disse que em 55 anos de profissão isso nunca tinha acontecido, que foi uma fatalidade. Ele disse que a equipe médica do hospital será reformulada e ficou por isso mesmo. Falaram ainda que iam mandar um e-mail de retratação para a minha filha e até hoje não enviaram”, lamenta Marília.




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