Diversão
FOTO: Divulgação/Weslei Barbai

A Companhia de Teatro Heliópolis encerra em São Caetano a circulação por cidades paulistas do espetáculo 'Cárcere ou Porque as Mulheres Viram Búfalos'. A apresentação acontece no Teatro Municipal Santos Dumont no sábado (24), às 19h, com ingressos gratuitos e interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Em 2022, 'Cárcere ou Porque as Mulheres Viram Búfalos' ganhou o Prêmio APCA (Dramaturgia; indicado também em Direção), Prêmio SHELL de Teatro (Dramaturgia e Música; indicado em Direção), VI Prêmio Leda Maria Martins (Ancestralidade) e foi relacionado entre os melhores espetáculos do ano.
TRAMA, SEGUNDO A COMPANHIA
A montagem aborda a forte presença feminina no contexto do cárcere. O enredo parte da história das irmãs Maria dos Prazeres e Maria das Dores, cujas vidas são marcadas pelo encarceramento dos homens da família: primeiro, o pai; depois, o companheiro de uma; agora, o filho da outra. Dentro do presídio, o jovem Gabriel - que sonha em ser desenhista - aprende estratégias de sobrevivência para lidar com as disputas internas de poder e a falta de perspectivas inerente ao sistema carcerário. Naquele microcosmo a violência dita as regras e não poupa os considerados fracos ou rebeldes. Fora dali, em suas comunidades, as mulheres - mães, filhas, afilhadas - buscam alternativas para tentar romper os ciclos de opressão que as aprisionam em existências sem futuro.
A história das irmãs é um disparador no enredo de 'Cárcere ou Porque as Mulheres Viram Búfalos' para expor o quanto é difícil se desvincular da complexa estrutura do encarceramento. Enquanto a mãe enfrenta o sistema jurídico na tentativa de libertar o filho preso injustamente, lutando pela subsistência da família e do filho, sua irmã é refém do ex-companheiro a quem deve garantir suporte no presídio, sem direito a uma nova vida conjugal. Presas a um histórico circular, elas lutam para quebrar o ciclo em um percurso espinhoso. O espetáculo mostra que os saberes ancestrais resistiram à barbárie e atravessaram os séculos nos corpos, nas vozes e nas crenças das/dos africanas/nos que, escravizados/as, fizeram a travessia do Atlântico. Iansã, Rainha Oyá, a deusa guerreira dos ventos, das tempestades e do fogo não abandonou o seu povo. Ela permanece iluminando caminhos e inspirando fabulações para que seus filhos e filhas experimentem, por fim, a liberdade.
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