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Advogado acusado de extorquir Palacio é alvo de vários processos

Getulio Carvalho Filho, candidato a vereador em São Caetano, precisa manter distância de 500 metros de tia idosa, a quem ameaçou e difamou

Evaldo Novelini e Wilson Guardia
16/08/2024 | 20:02
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FOTO: Claudinei Plaza/DGABC, 2022

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O advogado e candidato a vereador em São Caetano Getulio de Carvalho Filho (União Brasil), que é acusado de extorsão pelo prefeiturável Fabio Palacio (Podemos), acumula série de inquéritos na polícia e processos na Justiça. Ele, inclusive, foi enquadrado na Lei Maria da Penha e não pode se aproximar de uma tia, idosa, a quem ameaçou, difamou e perturbou no endereço em que ela trabalhava.

Carvalho Filho responde a seis processos em São Caetano, nas áreas cível e criminal, de acordo com o pedido de registro de sua candidatura a vereador feita à Justiça Eleitoral e cuja consulta é pública. Além de Palacio, ele também já foi processado por outro candidato a prefeito, o vereador Tite Campanella (PL), a quem acusou, sem apresentar provas, de consumir drogas ilícitas e agredir mulheres.

Em fevereiro deste ano, de acordo com documentos a que o Diário teve acesso, quem acabou enquadrado na legislação de proteção às mulheres foi o candidato a vereador pelo União Brasil. Denunciado à Delegacia de Defesa da Mulher de São Caetano pela própria tia, uma senhora com 60 anos, por ameaça, perturbação do trabalho ou do sossego alheio e difamação, Carvalho Filho foi proibido pelo juiz Pedro Corrêa Liao, com Base na Lei Maria da Penha, de chegar a menos de 500 metros da parente ou de lhe acionar por telefone ou mensagens.

A imensa maioria das queixas contra Carvalho Filho diz respeito a ameaças ou perturbação do sossego alheio. As denúncias se intensificaram neste ano, quando o advogado assumiu a persona de “sheriff” da cidade e passou a invadir locais públicos e a constranger funcionários públicos sob a justificativa de denunciar falhas na administração do prefeito José Auricchio Júnior (PSD).

Mas Carvalho Filho também figura como réu em processo na área cível. Em 25 de julho de 2024, a operadora Amil Assistência Médica Internacional S.A. propôs ação contra o advogado para anular seu plano de saúde e desobrigá-la de custear procedimento cirúrgico que o cliente precisava fazer. A empresa também registrou notícia-crime contra o são-caetanense por falsidade ideológica.

Na denúncia cível de 218 páginas à Justiça, a Amil argumenta que Carvalho Filho mentiu ao assinar contrato com a operadora, em 1º de fevereiro de 2023. Apesar de assegurar que não possuía doença preexistente, o advogado requisitou autorização para cirurgia, em 12 de fevereiro deste ano. apresentando laudo, assinado pelo médico Kaio R. Barreto Ramiro, dizendo que o problema remontava há “cerca de 3 anos”.

“Não há a menor dúvida de que a parte requerida, já ciente de sua patologia, e interessada em realizar o procedimento cirúrgico, resolveu aderir a um plano de saúde para que pudesse fazê-lo mediante o irrisório pagamento da mensalidade do plano, e consequentemente atribuindo à autora e a toda massa de usuários (porque no final das contas, são eles que arcam com os custos) o ônus do elevado valor do procedimento”, sustenta o advogado Marco André Honda Flores, patrono da Amil.

Getulio Carvalho Filho foi denunciado na segunda-feira ao Deic (Delegacia Especializada de Investigações Criminais), em São Bernardo, por extorsão. Fabio Palacio revelou às autoridades que o advogado ameaçou “acabar com a sua vida” se ele não lhe pagasse R$ 140 mil.

OUTRO LADO

Questionado pelo Diário, o candidato a vereador argumenta que a medida protetiva contra a tia foi concedida “equivocadamente” e que, posteriormente, “foi reconsiderada. Conta, ainda, que denunciou a parente à polícia por “injúria, calúnia, denunciação caluniosa e comunicação falsa de crime” e que aguarda a conclusão do inquérito “para eventuais providências”.

Sobre as acusações sem provas que fez contra Tite Campanella, de que o candidato a prefeito indicado por Auricchio agredia mulheres e consumia drogas ilícitas, Carvalho Filho reconhece que foram equivocadas. “Errei e paguei pelo meu erro”, concorda.

O candidato a vereador alega também que os inquéritos policiais contra ele “parece” terem sido “arquitetados/planejados pelo governo atual para me calar e impedir minhas denúncias”. Por fim, admite o processo movido pela Amil, dizendo-se “vítima de um ‘sistema leonino’ que acomete centenas de milhares de pessoas”.




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