À Justiça, ex-secretária de Saúde de S.Caetano dá respostas evasivas a questionamentos de pais; titular da Educação diz estudar soluções
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Intimada pela Justiça a prestar esclarecimentos sobre o fechamento do Fumas (Fundação Municipal Anne Sullivan), a ex-secretária de Saúde de São Caetano, Regina Maura Zetone (PSD), candidata a vice-prefeita na chapa governista encabeçada por Tite Campanella (PL), apresentou nesta segunda-feira (12) respostas evasivas aos pais dos alunos presentes no Fórum da cidade.
Em parte do depoimento, ao qual o Diário teve acesso, a ex-secretária evitou falar sobre o fechamento da escola e respondia apenas quando citada. Quando foi procurada pela reportagem na saída da audiência, fugiu rapidamente e se negou a responder os questionamentos.
Ela foi acompanhada da secretária de Educação, Minéa Paschoaleto Fratelli. As duas passaram quase três horas em audiência. “Não vamos discutir o fechamento do Anne Sullivan, vamos resolver como adequar a escola”, disse a secretária de Educação ao ser cobrada sobre a extinção da instituição.
Mais de dez pais das crianças e jovens com deficiência que recebiam atendimentos pela Anne Sullivan cobraram soluções para os problemas criados pela extinção da escola, no ano passado.
Essas crianças e adolescentes foram realocadas para a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e O Semeador, mas as famílias se queixaram da falta de amparo e diálogo da prefeitura desde o fechamento da escola, determinado pelo prefeito José Auricchio Júnior (PSD) com a aprovação do Legislativo.
O juiz Eduardo Rezende Melo, da 1ª Vara Criminal e da Infância e Juventude da Comarca de São Caetano, ouviu todo desabafo das famílias e as demandas urgentes de cada criança, mantendo a ordem quando as duas partes subiam o tom das falas.
“Fecharam a única escola que tinha um atendimento humanizado. Minha filha não tem entendimento, precisa ser estimulada. Hoje em dia ela regrediu”, afirmou uma das mães que tinha duas filhas matriculadas no Anne Sullivan.
Dentro das demandas, o magistrado mediou uma solução possível por parte da prefeitura que atende ao que foi cobrado. Uma dessas respostas – que chegou a ser aplaudida – foi em relação ao pagamento. Se na Anne Sullivan a criança tinha amparo gratuito, na Apae cada pai deve pagar aproximadamente R$ 900 para o filho ter horário integral com todas as terapias necessárias.
A partir das reclamações e uma cobrança do juiz, a secretaria de Educação se propôs a analisar os custos para amparar as famílias e detalhar a verba na Lei Orçamentária de 2025.
OPINIÕES
Após a audiência, pais de alunos deixaram o Fórum de São Caetano com opiniões diferentes. Maria Arraz, 51 anos, mãe da Mariana Arraz, 16, que era assistida na Anne Sullivan desde bebê, não ficou satisfeita com as propostas apresentadas pela secretária de Educação.
“Não fiquei contente. As escolas oferecidas pelo município não têm a mesma qualidade”, lamentou, ao relatar que a filha regrediu desde que parou de ter um acompanhamento pela instituição.
“Eles propuseram manter na Apae, e tentar manter alguma coisa que a gente tinha no Anne Sullivan, mas não estou satisfeita. Por que o Anne Sullivan não pode fazer parte do Complexo da Pessoa com Deficiência, que é tão esperado?”, refletiu.
Por outro lado, Marcello Patelli, pai de uma das alunas de 8 anos do Anne Sullivan, comemorou o apoio do juiz e lamentou a atitude do Executivo. “O juiz conseguiu trazer de volta para as crianças o direito que elas tinham, que é a terapia. Foi comprovado que houve sim negligência e de fato as crianças foram abandonadas, algo que a prefeitura sempre negou”, apontou.
“A gente sai daqui com nosso objetivo. Como pai e mãe, conseguimos para nosso filhos o melhor que podíamos nesse momento. Saímos satisfeitos pelo fato das nossas crianças poderem ter o acolhimento que precisam e merecem, mas triste porque o juiz não tem a capacidade de voltar no tempo”, completou.
Roseli Almeida, mais uma mãe de aluna que esteve presente na audiência, celebrou: “Nós não tivemos acesso ao prefeito, ele se recusou a nos receber e fechou a escola sem nos receber, mas agora, graças a Deus, apareceu um juiz que deu sentido a nossa causa.”
A secretária de Educação, Minéa Paschoaleto Fratelli, alegou que só se manifestaria por meio da assessoria – que foi procurada, mas não se pronunciou até o fechamento desta edição.
O juiz Eduardo Rezende Melo agendou uma nova data para a audiência no dia 9 de setembro para acompanhar os desdobramentos.
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