Ao menos seis prefeituráveis do Grande ABC terão vices do segmento, de olho em público de 690 mil pessoas
ouça este conteúdo
|
readme
|
Candidatos a prefeito no Grande ABC na eleição de outubro querem atrair o eleitorado evangélico e, para isso, têm apostado em lideranças religiosas como postulantes a vice. Ao menos seis candidaturas terão vices evangélicos, em uma tentativa clara de angariar votos entre as pessoas comunidade.
Segundo o dado divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com base no Censo 2010, os evangélicos representavam 25,5% da população da região. Assim, esse contingente pode beirar a casa de 690 mil habitantes, ou 550 mil eleitores. Porém, o número pode ser maior, considerando que o grupo cresceu nos últimos anos.
Pensando nesse eleitorado, em Santo André, o governista Gilvan Junior (PSDB) anunciou Silvana Medeiros (Avante) como candidata a vice. A avantista é ligada à Igreja Internacional da Graça de Deus, do missionário Romildo Ribeiro Soares, conhecido como RR Soares.
Em Diadema, três candidatos estão na briga pelo eleitorado evangélico. O oposicionista Taka Yamauchi (MDB) terá ao seu lado a conselheira tutelar Andreia Fontes (PL), também ligada à Igreja Internacional da Graça de Deus. Em entrevista concedida ao Diário em meados de junho, o liberal disse que, segundo seus próprios estudos, 40% do contingente de ‘não votos’ da cidade, como é chamado o eleitorado que não foi às urnas ou anulou seu voto em 2020, era formado por evangélicos.
Vale lembrar que, quatro anos atrás, Taka foi derrotado pelo prefeito José de Filippi Júnior (PT), candidato à reeleição, por cerca de 5.000 votos. O petista também entrou na briga pelo eleitorado evangélico e terá como companheiro de chapa o pastor Rubens Cavalcanti (PV), filho do ex-vereador Pastor José Rodrigues. Filippi destacou a importância da participação da comunidade evangélica no projeto. “As igrejas têm papel fundamental em nossa sociedade, de dar guarida e segurança, na fé, aos mais pobres e vulneráveis”, afirmou.
Na mesma cidade, outro prefeiturável terá um vice evangélico será Gesiel Duarte (Republicanos), que escolheu para acompanhá-lo na chapa majoritária Pastor Valente (Republicanos). Em Mauá, o deputado estadual Atila Jacomussi (União Brasil) terá como vice a pastora e guarda-civil municipal Ivany Moura (PRD).
“A escolha do vice no modelo eleitoral que temos no Brasil também cumpre a função de atrair um público que o candidato a prefeito normalmente não consegue atrair por si só”, explicou o cientista político e internacionalista Túlio Ribeiro.
Segundo ele, com a ascensão da extrema-direita e do bolsonarismo no País nos últimos anos “é cabível pensar que alguns elementos atrelados a esses fenômenos ganharam destaque nas corrida eleitoral, especialmente os elementos religiosos e militares”.
“Em nível municipal, nem sempre questões ideológicas são preponderantes. Porém, dado o cenário de polarização política dos últimos anos, é natural que alguns candidatos busquem atrair, por meio do vice, a parcela do eleitorado que se identifica com a extrema-direita e o bolsonarismo, considerando, para isso, pessoas do meio evangélico ou militar”, acrescenta.
MILITARES
Nessa mesma linha de raciocínio, prefeituráveis têm escolhido como vices candidatos militares ou ligados às forças de segurança. É o caso em Santo André de Luiz Zacarias (PL), que terá a seu lado Capitão Lemos (PL); de Marcelo Lima (Podemos), com Sargento Jéssica Cormick (Avante) em São Bernardo; e ainda em Rio Grande da Serra com Major Sandro (MDB), que será candidato a vice na chapa a ser encabeçada por Akira do Povo (Podemos).
Apesar disso, Túlio Ribeiro aponta que, em uma comparação da potência entre os dois grupos, os religiosos saem na frente. “É difícil generalizar os evangélicos como grupo único e coeso. Porém, hoje em dia, são o público religioso que mais cresce no País, com um voto muito ligado à identidade enquanto grupo religioso”, diz.
“Então, acredito que a capacidade de mobilização obtida por um vice evangélico é superior à de um militar, mesmo que também tenha sua atratividade para essa parcela do eleitorado”, completa.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.