Candidato aproveitou ato para elevar o tom contra o atual prefeito, Orlando Morando, e sua indicada à sucessão, Flávia Morando
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Marcelo Lima (Podemos), candidato a prefeito de São Bernardo, ao fim do prazo final para homologação da chapa eleitoral, apresentou ontem a sua vice. Trata-se da sargento da Polícia Militar Jéssica Cormick. “Detectamos, por meio de plataforma participativa, que entre os maiores problemas da cidade e uma das principais reivindicações dos moradores referem-se ao setor de Segurança Pública. Por isso, após diálogo, decidimos colocar uma técnica no assunto e que tem experiência para atuar”, discorreu o ex-vice-prefeito e ex-deputado federal.
“Eu sei a dor de uma mãe que perdeu o filho para o crime organizado e conheço a dor de milhares de mulheres que sofrem violência dentro de casa. Juntos sei que podemos mudar isso. Marcelo, bandido não terá vida fácil”, frisou Jéssica.
A construção da chapa, ainda de acordo com Marcelo, foi a várias mãos, após conversas com os 14 vereadores dissidentes da base governista, com os partidos aliados e o grupo político. “Aqui tudo é feito na base do diálogo. Vocês não estão aqui comigo por dinheiro ou algo a mais, estão pelo projeto”, afirmou o candidato, referindo-se, de forma indireta, ao atual prefeito Orlando Morando (PSDB), conhecido por aliados e desafetos por ser centralizador e não ouvir sugestões.
Marcelo Lima também ironizou Flávia Morando (União Brasil), sobrinha do prefeito e candidata oficial à sucessão, ao elogiar a desenvoltura de Jéssica durante o discurso a apoiadores e também em declarações à imprensa, na coletiva. “Já está pronta. Não precisei escrever nada para ela. Falta agora outros candidatos virem pro debate”, alfinetou o candidato do Podemos, provocando a concorrente, que não concede entrevistas nem fala com jornalistas sem a salvaguarda de auxiliares.
Marcelo Lima chegou a lamentar o caos na saúde de São Bernardo com registro de morte, negligências e erros médicos no Hospital Municipal da Mulher. “Está na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).” Na sequência apresentou propostas para o setor e voltou a subir o tom. “Não estamos com aventureiras nem projeto familiar. Estamos aqui para debater a cidade e projetos”, garantiu o candidato.
ESQUERDA?
Por fim, Marcelo refutou recente fala de Morando, que tenta colar nele a pecha de esquerdista. Eleito deputado federal pelo Solidariedade, o ex-vice-prefeito perdeu a cadeira na Câmara por infidelidade partidária, após migrar para o PSB. “Isso me deixa surpreso. Eu nunca levantei a mão do PT e muito menos as do Orlando Silva (deputado federal e ex-ministro dos Esportes), do PCdoB, o Partido Comunista do Brasil. A verdade tem que ser dita, quem dialogou com o PSB foi o prefeito, não eu”, esbravejou.
Na última eleição municipal, em 2019, Orlando Morando recebeu o apoio do xará, Orlando Silva, então ministro dos Esportes, que colocou os comunistas na base de apoio de reeleição do tucano, contrariando Marcelo, que não gostou da decisão monocrática.
SITUAÇÃO ELEITORAL
Jéssica Cormick não está ligada a nenhum partido. Por ser policial militar, possui o privilégio, concedido por entendimento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de ter o nome homologado em convenção para só então comunicar à Justiça Eleitoral a qual agremiação vai se filiar – no caso, o Avante. Como tem mais de 10 anos de serviço, ela não perde o vínculo com a PM, mas ficará afastada por meio da licença para tratar de interesse particular. Se eleita, vai para inatividade no ato da diplomação.
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