Direção do colégio andreense Ivone Palma Todorov manifestou interesse no modelo
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Um grupo de estudantes da Escola Estadual Ivone Palma Todorov Ruggieri, localizada em Santo André, realizou na manhã de segunda-feira (5) uma manifestação contra o programa de escolas cívico-militares divulgado pelo Estado. Além dos alunos, integrantes do Ares ABC (Associação Regional dos Estudantes Secundaristas do Grande ABC) também participaram do ato, que foi realizado de maneira pacífica na quadra da unidade escolar.
A PM (Polícia Militar) foi acionada para acompanhar o ato e, segundo Isabelle Vaz, diretora do Ares ABC, a presença dos agentes teria coagido os manifestantes. “A direção da escola autorizou a entrada da PM, que contou com a presença de seis a sete policiais armados. Isso acabou coagindo os estudantes, que se sentiram amedrontados. As manifestações já têm a ideia de serem algo errado, uma baderna, mas, em todo momento, os estudantes estavam lá para serem ouvidos, não para causar tumulto”, afirmou Isabelle.
No mês passado, a Seduc (Secretaria da Educação do Estado de São Paulo) divulgou que 15 diretores de escolas públicas estaduais da região haviam manifestado interesse em aderir ao modelo cívico-militar a partir de 2025, sendo sete em São Bernardo, duas em Ribeirão Pires, duas em Diadema, uma em São Caetano e três em Santo André — incluindo a E.E. Ivone Palma Todorov Ruggieri.
Thais Gasparini, professora e conselheira do Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) de Santo André, disse que o processo de implementação das escolas cívico-militares está indo contra o que os estudantes e professores querem. “Primeiro, quando (o projeto) foi aprovado na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), vários estudantes que se manifestaram contra foram agredidos e saíram presos. Agora, no meio do recesso, a toque de caixa, com pouca discussão com a comunidade escolar, ocorre a votação para a implementação do projeto”, declarou.
A conselheira explicou ainda que, desde o início das aulas, os estudantes e professores estão se organizando para impedir a implementação do projeto, por meio de manifestações, panfletagens, reuniões e cartas abertas à comunidade escolar, entre outras ações.
“Quem está no chão da escola está disposto a discutir sobre o projeto porque sabe o prejuízo de sua implementação, não só no processo de ensino-aprendizagem, mas também pelo caráter do projeto, que aumenta a opressão e a violência dentro das unidades”, destacou.
Procurada, a Seduc informou que a manifestação ocorreu de maneira pacífica dentro da escola e que a PM teria sido acionada por terceiros que não fazem parte da comunidade escolar. “As aulas transcorreram normalmente, não houve qualquer impedimento à continuidade”, esclareceu a Pasta.
Das 15 escolas estaduais da região que haviam demonstrado interesse em aderir ao modelo cívico-militar, uma renunciou. Após pressão da família do jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto pelo regime militar brasileiro durante a ditadura, em 1975, e de organizações da sociedade civil, a direção da Escola Estadual Jornalista Vladimir Herzog, de São Bernardo, desistiu de adotar o programa.
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