Animais apareceram em um curso d’água que abastece a Represa Billings; Cetesb aguarda o resultado de análises para indicar a causa
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Peixes mortos em grande quantidade voltaram a aparecer nas margens de um dos rios que abastecem a Represa Billings, um dos principais mananciais da Região Metropolitana de São Paulo – e que fornece água para o Grande ABC. Na última semana, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e o MDV (Movimento em Defesa da Vida do Grande ABC) receberam denúncias sobre a mortandade dos animais no Rio Grande, na região de Rio Grande da Serra, e iniciaram as investigações para determinar a causa. Está é a terceira ocorrência do tipo registrada no curso de água em cerca de oito meses.
Equipes do MDV, incluindo o presidente interino, José Soares da Silva, estiveram no local na última semana e constataram o informado pelos moradores e pescadores. O movimento solicitou a averiguação de autoridades municipais e da Cetesb. Além disso, o IPH-USCS (Índice de Poluentes Hídricos da Universidade Municipal de São Caetano) também realizou testes no lugar. Segundo Silva, a maioria dos peixes, devido ao baixo volume do rio, à tubulação e à grande concentração de aguapés, fica estacionada em alguns pontos da bacia e está, aos poucos, se deslocando pelo canal.
O temor é que o material que matou os peixes siga o curso do Rio Grande e chegue até a estação de captação da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), em São Bernardo, que abastece parte do Grande ABC. Em nota, a Sabesp afirmou que monitora constantemente a qualidade da água captada para tratamento e não encontrou anormalidades na captação do Sistema Rio Grande. “Devido à grande distância do evento apontado no município de Rio Grande da Serra em relação à ETA (Estação de Tratamento de Água), não há risco de impacto na água fornecida à população”, afirmou.
A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), responsável pelo controle, fiscalização, monitoramento e licenciamento de atividades geradoras de poluição, afirmou em nota que teve conhecimento da ocorrência de mortandade de peixes no Rio Grande próximo a um ponto de monitoramento da companhia. No fim da última semana, o órgão disse que mobilizou uma equipe formada por técnicos do laboratório e da Agência Ambiental do ABC I para fazer uma vistoria, tendo sido realizada coleta de água.
Segundo a companhia, é necessário o resultado das análises para tentar identificar causas e formular as próximas ações. Na terça-feira (30), foi solicitado apoio da equipe de fiscalização da Prefeitura de Rio Grande da Serra, para averiguar as condições atuais da represa. Os fiscais da Prefeitura estiveram no local e informaram que não localizaram peixes mortos. “A Cetesb recomenda, que em caso de mortandade os peixes não sejam consumidos”, alerta a companhia.
Assim como nas outras oportunidades, o MDV suspeita de que o fato tenha relação com atividades da Unipar, empresa química de Santo André que fica próxima ao local. Para o presidente interino do movimento, “tudo acaba sendo suspeito, até que elucidem a verdade”. “Quando conversamos com moradores e pescadores locais, a primeira fala é que (a responsável) seria a empresa (Unipar). Essa situação está no senso comum. O que precisamos de fato é que os órgãos públicos fiscalizadores digam o que está ocorrendo e responsabilizem quem deve ser responsabilizado”, diz Silva.
EM NOTA DA EMPRESA
Ao Diário do Grande ABC, tomamos conhecimento na última sexta-feira (26), sobre um episódio de mortandade de peixes no Rio Grande. A Unipar faz análises periodicamente e não tem verificado nenhuma anormalidade. Em função do episódio, repetimos as análises nessa data e não foi encontrada nenhuma anormalidade relacionada a Unipar.
Além disso, temos uma rede de monitoramento interno com alarmes que detectam, imediatamente, qualquer variação na água pluvial que deixa a fábrica em direção ao Rio.
Neste mesmo dia, após as verificações internas, recebemos a CETESB e representantes da Secretaria de Meio Ambiente de Rio Grande para ação de coleta de amostras de água do Rio. Não poupamos esforços para ajudá-los a recolher amostras para averiguação em diversos pontos do rio e continuaremos a apoiar os esforços para análises. A Unipar atua em conformidade com os mais altos padrões de operação industrial e de cuidado ambiental e social. A empresa explica que a fábrica de Santo André não faz descarte no rio.
A Unipar capta a água do Rio Grande e, após utilização no processo produtivo, faz o devido tratamento e depois o descarte é feito na rede coletora da Sabesp, que é responsável pela gestão do recurso hídrico. Atendemos de maneira sistemática e rigorosa a todos os padrões estipulados na legislação vigente. Ressaltamos nosso compromisso de cuidado e preservação do meio ambiente e a relação transparente e respeitosa com as comunidades no entorno de nossas fábricas. Mantemos diálogo aberto com membros do Conselho Comunitário Consultivo (CCC) e temos o programa Fábrica Aberta que permite transparência das nossas operações. Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos.
RECORRENTE
Em 2023 e em janeiro deste ano, Rio Grande da Serra já havia iniciado investigação para apurar contaminação em águas da cidade. Equipes de fiscalização ambiental identificaram peixes mortos no curso de água que leva o nome do município, próximo à estação.
Segundo o Paço, laudos obtidos de dezembro de 2023 descartaram contaminação química e resultaram como inconclusivos. Neste ano, descarte de esgoto teria sido o motivo para a morte dos animais.
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