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Burocracia com o Estado impede cirurgia de jovem

Mesmo com liminar, mãe não consegue procedimento contra escoliose para a filha

Renan Soares
24/06/2024 | 23:00
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FOTO: Celso Luiz/DGABC


Desde março de 2023, Fátima da Silva Camacho, 60 anos, batalha para conseguir uma cirurgia para sua filha, Alannis Camacho Luciano, 14, que sofre de escoliose com mais de 60 graus de curvatura. Após meses de espera e sem retorno do sistema público de saúde, Fátima, que mora em Santo André, conseguiu uma liminar na Justiça para a realização da cirurgia em uma unidade particular, com bloqueio de recursos financeiros do Estado para garantir o custeio. Porém, após pedido do governo estadual, o montante teria sido desbloqueado mediante um compromisso de marcar uma data para a cirurgia na rede pública – a data de fato foi estabelecida para 28 de junho, porém não será cumprida.

Em 2023, após uma longa espera, Fátima procurou um neurocirurgião particular, que recomendou entrar na Justiça devido à gravidade do caso. Em outubro do ano passado, a mãe obteve uma liminar que exigia a realização urgente da cirurgia, com prazo definido. No entanto, o Estado teria marcado apenas consultas ambulatoriais e um raio-x no Hospital das Clínicas. Durante meses, múltiplos pedidos de marcação da cirurgia e pré-operatórios foram ignorados, segundo a mãe da paciente. 

Devido à complexidade do procedimento, a cirurgia só poderia ser feita, de forma gratuita, em uma unidade estadual. Sem alternativas, Fátima providenciou orçamentos em hospitais particulares, em abril de 2024. 

“A cirurgia seria feita em um hospital de São Bernardo, onde foi encontrado o menor orçamento, com um médico que já tínhamos passado em consulta e que já estava a par de tudo”, conta Fátima. “Nós nos sentimos humilhadas, passadas para trás. É sobre a saúde da minha filha que estamos falando.” 

A Justiça, então, bloqueou os valores necessários para a cirurgia, do Estado e da Prefeitura de Santo André, depositados na conta de Fátima em 4 de junho de 2024. Com o valor em mãos, Fátima agilizou os procedimentos necessários e marcou a cirurgia para o dia 18 de junho, no hospital em São Bernardo. Entretanto, a Procuradoria do Estado pediu a devolução do dinheiro e marcou uma nova data para a cirurgia, no dia 28 de junho. 

No dia 22 de junho, a cirurgia foi novamente cancelada pelo Estado, alegando a falta de exames pré-operatórios que já haviam sido pedidos havia mais de 15 dias. 

“Infelizmente, o Estado está mais interessado no dinheiro do que na saúde da minha filha”, desabafa Fátima, indignada com a falta de cumprimento da liminar. 

“Estamos esperando há meses por algo que já deveria ter sido feito. Estamos sendo pressionadas a devolver o dinheiro e não resolvem em nada o que foi pedido desde o início do processo na liminar.”

Questionada, a SES (Secretaria Estadual de Saúde), responsável pela cirurgia, afirmou ao Diário que “está apurando o caso”.




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