Política Titulo Reajuste
Câmara de São Caetano aprova aumento de 76% no salário do prefeito

Remuneração do chefe do Executivo vai subir de R$ 20 mil para R$ 35 mil; apenas três vereadores foram contrários ao reajuste

Artur Rodrigues
19/06/2024 | 09:06
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FOTO: André Henriques/DGABC


 A Câmara de São Caetano aprovou na tarde de ontem projeto que prevê reajuste de 76,31% nos salários do prefeito, vice-prefeito e secretários municipais. O aumento, se for sancionado pelo chefe do Executivo, José Auricchio Júnior (PSD), passa a valer a partir do próximo mandato. 

O projeto prevê os seguintes reajustes: o salário do prefeito subirá de R$ 20 mil para R$ 35.262; o do vice-prefeito, de R$ 10 mil para R$ 17.631; e o do secretariado, de R$ 19 mil para R$ 33.498,90. Na peça, a mesa diretora – autora do texto – atribui as correções ao fato de o último reajuste concedido aos agentes públicos ter sido aplicado em 2013. De acordo com o documento, a inflação no período até 2024, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), é de 88,81%. 

A proposta foi aprovada com 15 votos favoráveis, de integrantes da base de Auricchio, e três contrários. Votaram a favor do aumento os vereadores Américo Scucuglia (PRD), Beto Vidoski (PRD), Caio Salgado (PL), César Oliva (PSD), Cicinho (PL), Daniel Córdoba (PSD), Marcos Fontes (Progressistas), Fabio Soares (Republicanos), Gilberto Costa (Progressistas), Marcel Munhoz (Progressistas), Matheus Gianello (PL), Jander Lira (PSB), Professor Ródnei (PSD), Thai Spinello (PSD) e Tite Campanella (PL). 

Os vereadores Bruna Biondi, do mandato coletivo Mulheres Por + Direitos (Psol), Edison Parra (Podemos) e Ubiratan Figueiredo (União Brasil) foram os únicos a votar contra o reajuste. Por ser presidente da Câmara, Pio Mielo (PSD) não participou da votação. 

O projeto teve autoria da Mesa Diretora do Legislativo, composta por Pio Mielo (presidente), Marcelo Munhoz (vice-presidente), Beto Vidoski (primeiro-secretário), Matheus Gianello (segundo secretário) e Jander Lira (terceiro-secretário), diferentemente do que foi publicado na edição de sábado pelo Diário, que informou que a proposta foi enviada pela Prefeitura. Porém, um vereador da base governista confirmou à reportagem, sob condição de anonimato, que a propositura foi elaborada pelo Executivo e que a Mesa Diretora apenas produziu a peça para cumprir o regimento interno da Câmara. 

“Esse projeto chegou na calada da noite e foi colocado às pressas para votação. A falta de transparência da Câmara é um reflexo de como a política é feita em São Caetano. A Câmara sempre coloca às pressas os projetos que favorecem o Executivo e a mesma coisa aconteceu com esse projeto. Quem acha que é urgência aumentar salário do prefeito em quase 80%?”, criticou Bruna Biondi. 

Levantamento feito pelo Diário constatou que o reajuste vai gerar gasto extra de cerca de R$ 3,5 milhões por ano – montante que não leva em conta possível impacto nos vencimentos dos comissionados, que são baseados na remuneração do prefeito. Hoje, os salários do Executivo custam aproximadamente R$ 4,7 milhões anuais aos cofres municipais, e a partir do ano que vem esse gasto será elevado para R$ 8,2 milhões, crescimento de 74,4%. 

“Qualquer projeto de aumento de salário que tramitar nesta Casa vai ter meu voto. Sempre votei e nunca vou mudar minha posição. Concordo com o projeto e ponto final”, defendeu o líder do governo Gilberto Costa. Ao fim da sessão, Gilberto se recusou a responder os questionamentos do Diário. 

Chamou atenção o voto favorável de Tite Campanella, que é pré-candidato a prefeito e apoiado por Auricchio. Para além disso, o vereador foi contrário a um projeto semelhante aprovado pela Câmara em fevereiro do ano passado. Na ocasião, os parlamentares votaram, e aprovaram, aumento de 45% nos próprios salários – válido a partir da próxima legislatura –, que subiram de R$ 10.021,17 para R$ 14.500. Após a sessão, a reportagem procurou o vereador no plenário para questioná-lo sobre a diferença entre as votações, mas o liberal se recusou a dar esclarecimentos. 




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