Pré-candidato a prefeito de S.Caetano negou acusações e disse que utilizava recursos para quitar despesas pessoais de Aracy Campanella
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Pré-candidato à Prefeitura de São Caetano, o vereador Tite Campanella (PL) já foi processado, em 2007, pela própria mãe, Aracy Torres Campanella (1925-2008), por desviar irregularmente recursos da conta dela, no valor original de R$ 168.026,73. O liberal foi condenado pela Justiça e abriu mão da herança para quitar a dívida com os irmãos.
Na época em que o processo foi aberto, Aracy sofria de Alzheimer, motivo pelo qual foi representada pela filha, Marisa Campanella Bastos, irmã de Tite. Cópia da ação, obtida pelo Diário, acusa o vereador de, aproveitando-se da condição de saúde da mãe, fazer saques constantes da conta-corrente sem prestar contas à família.
A ex-primeira dama era casada com o ex-prefeito de São Caetano, Anacleto Campanella (1924-1974), que administrou o município de 1953 a 1957 e de 1961 a 1965. O casal teve três filhos, um deles é Anacleto Campanella Júnior, também conhecido por Tite Campanella.
A renda de Aracy vinha do aluguel das casas das quais era proprietária, conforme mencionado nos autos. Durante um período, Tite era responsável por receber e depositar esses recursos na conta da mãe. No entanto, ela alegou que isso não acontecia, conforme interrogatório registrado em documentos oficiais.
No diálogo entre o juiz Sergio Noboru Sakagawa e Aracy, ela respondeu que quem cuidava naquele momento do dinheiro era o seu genro, mas, anteriormente, estava sob gestão de Tite. O texto mostra a seguinte pergunta do juiz: “E quando ele (Tite) recebia, ele depositava no banco para a senhora?”. Ao que Aracy responde: “Acho que não”.
De acordo com os autos do processo, que condenou o vereador, Tite Campanella abriu mão dos direitos da herança para pagar o que não havia depositado na conta da mãe. “O herdeiro Anacleto Campanella Júnior cede à integralidade de seus direitos hereditários aos demais herdeiros, em pagamento dos valores e direitos decorrentes da ação judicial mencionada na Letra b da cláusula 1ª desta petição.”
Conforme a letra b da cláusula 1ª: “Os (irmãos, também herdeiros), em prol de uma divisão e partilha amigável dos bens e direitos decorrentes do Espólio de Aracy Torres Campanella, e como condição da mesma, renunciam e desistem de todas as ações existentes entre os mesmos e entre o Espólio de Aracy Torres Campanella, inclusive as ações e recursos pendentes, de forma a tornar eficaz e definitivo o presente acordo”.
O Diário procurou o pré-candidato para comentar o caso, mas não obteve resposta. No último dia 9, em uma rede social, Tite lembrou da mãe. “Era uma mulher extraordinária, sensível, tinha uma elegância incrível no trato com as pessoas e fazia com que todos se sentissem muito bem. Minhas recordações da minha mãe são as mais lindas possíveis”, escreveu no Instagram.
‘O Anacleto andou mexendo no dinheiro’
A própria mãe de Tite Campanella, Aracy Torres Campanella, confirmou à Justiça que o filho, cujo nome de batismo é Anacleto Campanella Júnior, apropriou-se ilegalmente do dinheiro dos aluguéis dos imóveis que ela possuía em São Caetano.
“O Anacleto Campanella andou mexendo no dinheiro que eu recebia dos aluguéis”, respondeu Aracy ao juiz Sergio Noboru Sakagawa, que a interrogou por ocasião do processo de interdição movido pela filha Marisa Campanella Bastos, em 2006.
Ao ser interrogada pelo magistrado, Aracy disse que não confiava em Tite. O juiz quis saber o porquê, e a mãe respondeu: “Eu sabia que ele ficava com os aluguéis”. A matriarca também contou que pedia ao filho para que ele depositasse os valores no banco ou deixasse com ela, mas o atual vereador não a ouvia, segundo documento que retrata o interrogatório e cuja cópia foi obtida pelo Diário.
Tite Campanella sempre negou que tenha se beneficiado do dinheiro da mãe. Em defesa no processo em que foi acusado – e condenado –, o pré-candidato a prefeito argumentou que utilizava os valores sacados para arcar com as despesas pessoais de Aracy.
Segundo cálculo de Tite, saques da conta da mãe em cinco anos, R$ 168.026,73, equivaliam à média mensal de R$ 2.800,44, “perfeitamente compatível com o padrão de vida da família”. Valores eram utilizados para pagar caseiros, consultas médicas, remédios e contas de água, luz e telefone, entre outros.
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