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Grande ABC tem 17 denúncias de violência infantil todo dia

Casos chegam a 2.093 em quatro meses; Maio Laranja alerta sobre o combate ao abuso e à exploração sexual de menores de idade

Beatriz Mirelle
13/05/2024 | 07:00
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FOTO: Banco de Dados
FOTO: Banco de Dados Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC registrou 2.093 denúncias de violência contra crianças ou adolescentes entre janeiro e abril. Em média, o índice aponta 17 casos por dia. O número de ocorrências relatadas à Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, por meio do Disque 100, representa alta de 84% em comparação ao mesmo período do ano passado (com 1.137 relatos). A maioria afeta a integridade da vítima, principalmente nos aspectos sexual ou psíquico. Mauá e São Bernardo lideram, respectivamente, como as cidades com mais notificações (veja na arte abaixo). Neste mês, a campanha do Maio Laranja marca a conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual infantil no Brasil. 

De acordo com a advogada especialista em direito da família Andressa Gnann, gestora do escritório Gnann e Souza Advogados, não é possível afirmar que houve aumento no número de casos, mas sim nas denúncias. “Essa alta surge em decorrência da conscientização da população sobre a violência infantil, como o fato de que a ‘surra’ não é uma forma de educar a criança”, pondera. “O acesso à informação por diversos meios ajuda a compartilhar o conceito de violência, seja ele qual for, além de fazer com que a população entenda a importância de denunciar.”

Além da violência física, a advogada relata outros tipos de ataques aos direitos dos menores de idade. “A violência sexual é mais silenciosa, o que dificulta que terceiros possam reportar o ocorrido. Muitas vezes a própria criança não se dá conta de alguns atos. Elas podem se sentir desconfortáveis, constrangidas, mas isso não significa que possuem consciência de que é um abuso. Os casos geralmente acontecem dentro das próprias casas das vítimas e com pessoas próximas.” 

DGABC

Já em relação às ocorrências que violam a integridade mental, Andressa ressalta que pode ser por meio de bullying. “Por causa disso, muitas crianças e adolescentes entram em depressão com tenra idade”, analisa. “A falta de recursos financeiros aumenta as chances de as pessoas se tornarem vítimas de violência. Isso por terem menos acesso às terapias e profissionais qualificados as orientando”, continua. 

Segundo os dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, mães, pais, padrastos e madrastas são frequentemente notificados como suspeitos. Quando o agressor possui uma relação de proximidade e parentesco com a criança, há uma dificuldade para que o menor de idade identifique o abuso e consiga solicitar apoio. 

“Uma das estratégias de promoção da autodefesa de crianças contra a violência sexual é incentivá-las a pedir ajuda a um adulto de confiança quando se sentirem com medo, constrangidas ou desconfortáveis. Mas, se os adultos em quem essa criança confia estiverem praticando outras formas de violência contra ela, talvez ela não se sinta segura para procurar apoio”, explica Cecília Landarin Heleno, analista da campanha Defenda-se, do Centro Marista de Defesa da Infância (projeto direcionado para a conscientização de crianças – leia mais abaixo). 

Nesse processo, é essencial que professores, assistentes sociais, psicólogos e membros da comunidade em geral estejam capacitados para identificar esses casos. 

Na região, os Cras (Centros de Referência de Assistência Social) são o principal agente para fortalecer o combate a qualquer tipo de abuso e violência, principalmente de pessoas em vulnerabilidade. 

Projeto ensina crianças a notarem abusos

A Campanha Defenda-se, criada pelo Centro Marista de Defesa da Infância, utiliza e-books, vídeos e brincadeiras educativas direcionados para que meninos e meninas de 4 a 12 anos possam identificar situações de violência. Com histórias lúdicas, ensinam as crianças a reconhecerem situações perigosas e a se defenderem nesses casos. A ideia é promover estratégias para dificultar a ação dos agressores. 

“Em uma sociedade em que ser adulto, mais velho e mais forte são parâmetros de respeito, o desenvolvimento de ambientes seguros e livres de todas as formas de violência contra as crianças se torna um desafio constante. É preciso fazer com que meninos e meninas reconheçam e reivindiquem seus direitos. Além disso, se torna essencial sensibilizar adultos, sejam pais, mães, familiares, educadores ou todos aqueles que convivem com crianças, sobre como eles podem contribuir com práticas educativas em que as crianças possam confiar em seus sentimentos e se sintam seguros para falar sobre eles”, avalia Cecília Landarin Heleno, analista da campanha Defenda-se, do Centro Marista de Defesa da Infância. Todo material está disponível no site do projeto (https://defenda-se.com/).




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