Nova liderança Vereadora petista assume cadeira que era de Geovane Corrêa, que renunciou ao mandato após polêmica de envolvimento em crime sexual
Divulgação/Câmara de Mauá

A professora da rede estadual e vereadora Cida Maia (PT) passou a ocupar oficialmente uma das cadeiras da Câmara de Mauá neste mês, após a renúncia do então vereador Geovane Corrêa (PT), que se envolveu em acusação de pedofilia – inquérito policial foi arquivado por falta de provas. A legisladora é a décima mulher a passar pela Casa Legislativa do município e, desde então, já se tornou presidente da Comissão de Finanças, uma das principais comissões parlamentares, responsável por analisar o impacto no Orçamento e a viabilidade financeira de PLs (Projetos de Lei).
Natural de Acopiara, no Estado do Ceará, Cidinha, como é conhecida, chegou em Mauá aos 7 anos e tem uma história semelhante à de muitos nordestinos que migraram para o Grande ABC, cuja família buscava melhores oportunidades de trabalho e educação. “Aquela típica história do povo nordestino, em que um traz o outro da família, que traz o outro...”, conta a legisladora, em entrevista ao Diário.
A trajetória na política foi influenciada por estar inserida em um meio crítico. Os pais, mesmo de origem simples – a mãe costureira e o pai metalúrgico –, eram profundos questionadores das injustiças sociais que os cercavam na periferia mauaense. “É muito presente na minha memória acompanhar os meus pais em comícios e caminhadas.”
Neste ano, a vereadora completou 35 anos de filiação ao Partido dos Trabalhadores. No início da vida adulta, ela conciliou a militância enquanto estudava para ser professora, na luta por passe livre entre os estudantes da região. Ao fim do curso de magistério, realizado antes da graduação, Cida passa a ser estagiária na EE José Daniel da Silveira, localizada no Zaíra, bairro em que vive até hoje. Anos depois, a pedagoga vira diretora na mesma instituição. “A minha história é praticamente toda nesse bairro. Aqui cresci, estudei e trabalhei”, diz.
Como participante da JOC (Juventude Operária Católica), ela se envolveu nas discussões sobre saúde no município. Em 1992, mesmo já atuando como professora, foi eleita a primeira conselheira gestora do Zaíra 2.
Cida conta que se tornou professora por se identificar com a profissão e por ter poucas opções na época da escolha. Portanto, ela decidiu “fazer algo pelas crianças, para que tivessem outras possibilidades. Ver um filho da classe trabalhadora estudante é um ato revolucionário para mim”.
Em 2014, durante o período do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), Cida tornou-se vice-presidente do PT de Mauá. “Foi um período muito difícil, e em seguida, veio uma eleição bem violenta, em 2016”.
Na última eleição municipal, em 2020, Cida obteve 1.070 votos nas urnas, ficando na primeira suplência para a Câmara. O PT elegeu dois vereadores naquele pleito: Geovane Corrêa, com 1.602 sufrágios, e Junior Getulio, com 1.102. Eleito presidente da Câmara. Em 13 de dezembro de 2022, o legislador mais votado foi eleito presidente da Casa.
O mandato se encerraria em 31 de dezembro, mas a denúncia de crime sexual abateu o petista, que renunciou em 7 de maio. Foi substituído na presidência por Junior Getulio e por Cida Maia na cadeira, que ela já havia ocupado interinamente por 60 dias, no período de licença de Corrêa. A vereadora está à frente do Coletivo Mãos Dadas, que luta por políticas públicas, inclusão e justiça social, pautas que considera de extrema importância. É pré-candidata à reeleição.
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