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Manifestantes realizam ato no Hospital da Mulher de São Bernardo

Grupo cobra providências sobre denúncias de negligência e violência obstétrica no equipamento de saúde

Thainá Lana
22/04/2024 | 09:04
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FOTO: Celso Luiz/DGABC


Reportagem atualizada 18h09

Manifestantes realizaram ato na manhã desta segunda-feira (22) em frente ao Hospital da Mulher de São Bernardo, localizado no bairro Nova Petrópolis. Grupo de cerca de 50 pessoas, formado por ex-pacientes, familiares e integrantes de movimentos sociais, cobrou providências em relação às denúncias de negligência e violência obstétrica, divulgadas na última semana pelo Diário. Até o momento, nove casos contra gestantes foram revelados - veja mais na arte abaixo.

Guardas da GCM (Guarda Civil do Município) e funcionários do departamento de trânsito acompanharam o protesto, que seguiu pelas ruas do entorno do hospital até a Praça Santa Filomena. A vereadora Ana Nice (PT) e outros parlamentares participaram da manifestação, que foi organizada pelo movimento Elas por São Bernardo.

Os participantes carregavam cartazes cobrando mais qualidade na saúde do município. Frases como “Quem será responsável por tanta violência e mortes?”, “Pelo fim da violência contra as mulheres + saúde em São Bernardo” e “Respeita a vida das mulheres, pelo fim da violência obstétrica”, estavam escritas em algumas faixas.

Raissa Falosi Santos, 20 anos, primeira pessoa a denunciar caso de negligência na unidade hospitalar, marcou presença na manifestação e pediu justiça. A jovem são-bernardense ficou por 19 dias com uma compressa em seu corpo após dar à luz à primeira filha, em março deste ano.

“Estou aqui lutando por todas as mulheres que sofreram nesse hospital. Depois que denunciei, olha quantos casos foram revelados, imagina quantos outros episódios não devem estar escondidos. Quantas mulheres vão precisar morrer para que isso acabe? Estamos aqui por todas as mães e bebês que não tiveram voz”, diz Raíssa, que compareceu ao ato com a filha de 1 mês, a pequena Maya.

Durante o protesto, a vereadora Ana Nice destacou outras denúncias contra o serviço público de saúde de São Bernardo, e a falta de apoio de colegas parlamentares na Câmara Municipal. “Somente no meu mandato foram oito requerimentos de pedidos de informação da saúde do município à Prefeitura, inclusive um sobre o Hospital da Mulher, porém, o prefeito Orlando Morando (PSDB) era muito blindado pela Casa antes dessa divisão devido ao início do processo eleitoral. Esperamos que agora os pedidos tenham maior adesão”, explicou.

Falta de médicos e de profissionais, demissão de médicos e o caso de importunação sexual contra enfermeira na Policlínica Alvarenga foram alguns dos problemas citados pela parlamentar. “Sobre a denúncia que o médico teria importunado a profissional e ela teria sido demitida, nós oficiamos o MPT (Ministério Público do Trabalho) e sobre esses últimos casos de negligência no Hospital da Mulher enviei um ofício ao MP (Ministério Público) para que as ocorrências sejam apuradas”, complementou Ana Nice.

O MP informou que recebeu a representação da vereadora e que será analisada.

Além da cobrança por apuração dos casos, os manifestantes cobraram posicionamento do prefeito Orlando Morando e do secretário de Saúde, Geraldo Reple Sobrinho, diante das denúncias. A auxiliar de dentista Priscila Tabata Benedito, 35, deu à luz a um natimorto por suposta negligência no Hospital da Mulher, conforme afirma. 

“Cadê as autoridades para falarem sobre o assunto? Até agora não houve nenhuma fala oficial sobre os diversos casos. Nenhuma palavra de conforto às mães que perderam seus filhos”, lamentou Priscila




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